Pela morte digna

Editorial / 13/04/2018 - 01h12

A morte é a única certeza da vida, embora a maioria das pessoas negue ou nem consiga pensar nesta frase. A verdade é que morrer também custa dinheiro e grande parte das pessoas é pega de surpresa com os custos de um sepultamento. Taxas, caixão, flores, sepultamento e velório podem ultrapassar a casa dos R$ 20 mil em grandes cidades, se a opção for pela urna luxuosa e serviços de primeira linha. Em um Brasil com péssima distribuição de renda, são poucos os que podem pagar um plano funerário ou garantir “uma vaga” em um cemitério particular. Portanto, os pobres são os mais castigados nesse mercado da morte.

A situação torna-se mais crítica quando o município não oferece locais públicos para o sepultamento de pessoas carentes, caso de Montes Claros, onde dois cemitérios - o Bonfim e o Parque dos Montes - estão lotados, obrigando moradores a pagar entre R$ 3 mil a R$ 15 mil para enterrar seus mortos.

Sem dinheiro para bancar o sepultamento, famílias carentes têm de recorrer à comunidade Facela, a 10 quilômetros do Centro da cidade, para o enterro. Neste caso, a dor de perder uma pessoa querida é ampliada pelo desgaste dos trâmites burocráticos e do deslocamento das famílias, que também gera custos. Diante desse sofrimento, vereadores encabeçam campanha, que buscará apoio do Ministério Público, para a construção de novo cemitério. Mas o ideal seria que a situação não chegasse a esse ponto. Diante do crescimento da população, municípios teriam de antecipar e incluir nas políticas públicas a destinação de lugares para sepultamento, garantindo um descanso mais digno a carentes.

Vereadores encabeçam campanha, que buscará apoio do Ministério Público, para a construção de um novo cemitério 

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