Mais saúde

Editorial / 09/06/2018 - 06h32

Se nas lavouras o uso do agrotóxico pode aumentar a produtividade, elevando a oferta de mercadorias e o lucros, na mesa ele representa um veneno que pode provocar doenças como o câncer. 

Pesquisa divulgada pela Anvisa revela que de 2007 a 2015 Minas foi o segundo Estado do país com maior número de contaminações por agrotóxicos, tanto de consumidores que ingerem os produtos quanto de trabalhadores que lidam nas lavouras. Na região norte-mineira, onde os municípios têm como principal atividade econômica a agricultura, o uso de defensivos tem provocado doenças, como mostra matéria publicada nesta edição de O NORTE, em que um agricultor conta ter desenvolvido um câncer em função do contato direto com os produtos na lida.

O uso sem controle de agroquímicos já é considerado um problema de saúde pública, mas, mesmo diante deste quadro, projeto de lei em tramitação na Câmara Federal prevê medidas para a “flexibilização” da utilização dos produtos. 

Enquanto o Brasil está na contramão dos países mais desenvolvidos, que estimulam a agroecologia, e não mantém uma fiscalização eficaz para evitar o uso descontrolado dos agrotóxicos, cabe aos consumidores buscarem alternativas para fugir dos alimentos com “veneno”, como adquirir produtos cultivados com adubos naturais e que geralmente têm origem na agricultura familiar. Em Montes Claros, são várias feirinhas livres que vendem produtos orgânicos, vindos direto dos produtores. O custo e o tempo para adquiri-los podem ser maiores, mas o investimento vale, e muito, para a saúde.

O uso sem controle de agroquímicos já é considerado uma problema de saúde pública no Brasil

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