Insensível

Editorial / 14/11/2017 - 01h25

Ser deficiente ou cuidar de um no Brasil não significa superar as dificuldades que o corpo impõe. Há ainda os obstáculos causados pelo preconceito e desrespeito das pessoas nas ruas e do próprio poder público, que deveria zelar pela saúde e pelo bem-estar de todos os cidadãos. 

Os casos denunciados pela Ademoc e por quem procura a ajuda da entidade são mais um exemplo de falta de consideração e de planejamento da atual administração em um setor tão delicado como a de políticas para a pessoa com deficiência.

O município se vangloriou de ter entregue cadeiras de rodas para cerca de 140 pessoas no mês de agosto. Só que a demanda não é só para esse tipo cadeira adquirida e distribuída – naturalmente a mais barata. Portadores de necessidades especiais precisam equipamentos adequados para cada perfil, e isso foi, segundo mostramos em reportagem nesta edição, completamente ignorado pela atual gestão.

Claro que não se trata de comprar equipamentos personalizados, o que acredita-se ser muito caro, mas os equipamentos deveriam ser adaptáveis, ou pelo menos que parte dos recursos para a aquisição das cadeiras fosse reservado para aquelas mais modernas e adaptáveis. Evitando que muitas fiquem paradas no órgão municipal. Isso chama-se planejamento. 

O caso da menina Lílian, que simplesmente não cabe mais na cadeira que usa – equipamento, inclusive, doado por uma empresa de outra cidade – é a personificação da insensibilidade de uma gestão que já faz pouco e quando faz executa de maneira equivocada ou insuficiente, provocando mais prejuízos que benefícios. 

Portadores de necessidades especiais precisam equipamentos adequados para cada perfil, o que foi ignorado pela atual gestão

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