Estamos doentes

Editorial / 04/11/2017 - 01h32

A divulgação de um estudo que alerta para o fato de que 100% dos médicos que atendem pacientes pelo Programa Saúde da Família (PSF) na cidade vivem sob forte nível de estresse é algo que preocupa. Afinal, significa que quem cuida da saúde dos demais precisa de ajuda, está doente. Não estamos falando de uma parcela de profissionais, o que ainda assim seria preocupante, mas de todos os 89 médicos que atuam no programa federal em uma das principais cidades mineiras. 

Quando médicos estão doentes, ainda mais nessa proporção, uma luz vermelha se acende. E com ela surge uma pergunta: se os médicos estão doentes, quem vai cuidar dos médicos? E como tem sido o atendimento desses profissionais, uma vez que estão debilitados por um gravíssimo problema emocional, que compromete sua capacidade de diagnosticar? E como eles farão para amenizar todo esse estresse?

São perguntas que devem ser levadas ao poder público, tanto na esfera municipal, quanto na estadual e federal. E devemos exigir deles uma resposta imediata, pois com saúde não se brinca.

Montes Claros é uma cidade com quase 400 mil habitantes e seria inconcebível que 10% dos médicos, que geralmente atendem às camadas mais necessitadas da região, vivam sob forte estresse devido às condições de trabalho que lhe são entregues. 

O alento vem de perto, quando percebemos que pequenas vidas são capazes de vencer uma truculência sem explicação, como a de Janaúba. Vencer os diagnósticos mais pessimistas é uma certeza de que sempre podemos nos curar.

Não podemos aceitar tranquilamente o fato de que toda uma equipe de médicos vive sob forte estresse

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