Cultura em risco

Editorial / 27/01/2018 - 07h33

Só quem vive do que se colhe no semiárido brasileiro sabe como é difícil encontrar uma cultura que sobreviva ao clima e gere uma produção suficientemente grande para garantir uma boa rentabilidade. A banana é o principal fruto produzido no Norte de Minas e a responsável por fazer de uma das regiões mais pobres do país uma boa referência. Qualquer ameaça a esse setor, portanto, é uma ameaça não só agrícola, mas, principalmente, social. 

A liberação da importação do fruto do Equador tem, portanto, potencial para provocar um grande estrago na economia de milhares de agricultores e seus empregados diretos –mais de 100 mil só na região Norte. E não estamos falando somente de preços, que pelo que se sabe, são menores do que aqui, já que a produção do outro lado da cordilheira dos Andes é subsidiada pelo governo local. 

Há o risco de que as pragas presentes nas lavouras equatorianas acabem se espalhando por aqui. Lá, são usados 10 vezes mais defensivos agrícolas para evitar contaminações do que aqui. Se uma dessas pragas entra em uma região como o Norte de Minas os estragos seriam incalculáveis. 

Esse risco de prejuízos ocorre justamente quando a banana da região começa a ganhar mercados internacionais pela qualidade. Se a banana do Equador fosse tão boa como a daqui, todos os outros países iriam buscar somente lá. 

Produtores mineiros tentam fazer barulho para reverter a medida, mas a mobilização será muito mais eficaz se contar com os fazendeiros de outras regiões produtoras – São Paulo, Bahia e do Sul do país–, para mostrar A o governo federal o tamanho do erro cometido.

A liberação da importação do fruto do Equador tem, portanto, potencial para provocar um grande estrago na economia da região Norte

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