Comida no lixo

Editorial / 16/05/2018 - 03h43

Responsáveis por 70% da produção dos alimentos consumidos em todo o Brasil, os agricultores travam uma grande luta para desenvolver as atividades e sobreviver. Falta de recursos e de incentivos governamentais, estradas precárias e dificuldades para comercialização dos produtos são desafios enfrentados pelo homem do campo. 

Na maioria das propriedades – 85% delas, segundo dados do Ministério da Agricultura –, a produção é fruto da agricultura familiar. Ou seja, pai, mãe, filhos, irmãos, tios, avós têm a atividade agrária como única fonte de renda. Se não produzirem, todos passam dificuldades. Em Montes Claros, além de todo o sofrimento, eles são também desrespeitados pelo poder público municipal.

Lei federal determina que a prefeitura compre 30% da produção desses trabalhadores rurais para a merenda das escolas. No entanto, desde 2017, a legislação é descumprida. Confiantes que o Programa Nacional de Alimentação (PNA), do governo Federal, seria cumprido no município, as famílias estruturaram as lavouras, mas toda a produção de alimentos que seria para a merenda das crianças se perde, por não ter comprador. 

A prefeitura prefere adquirir os alimentos da iniciativa privada a colaborar para a economia local, com a geração de renda e empregos para as famílias do campo. Verdadeiro absurdo também é saber que tantos alimentos saudáveis, que poderiam ir direto para as cantinas escolares, são desperdiçados no Norte de Minas, uma das regiões mais carentes do Estado, onde inúmeras crianças passam fome e costumam ter a merenda como única refeição do dia. 

A prefeitura prefere adquirir os alimentos da iniciativa privada a colaborar para a economia local, com a geração de renda e empregos 

Publicidade
Publicidade
Comentários