Até quando?

Editorial / 04/05/2018 - 05h51

A Organização Mundial de Saúde classifica a violência sexual como um problema de saúde pública. A prática, infelizmente, está presente no mundo inteiro, deixando sequelas físicas e emocionais nas vítimas. Gravidez e contágio por Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) são as consequências mais imediatas deste tipo de violência, mas a longo prazo as vítimas podem enfrentar problemas psíquicos e traumas na área da sexualidade para toda a vida. Feridas de difícil cicatrização. 

A situação é alarmante no Brasil, onde, de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. Crianças e adolescentes representam 70% das vítimas, mas este número pode ser bem maior, uma vez que muitas vítimas, com medo de se expor, silenciam. Há medo também de represálias, uma vez que grande parte dos crimes é praticada em casa por parentes e outras pessoas próximas.

Em Montes Claros, pesquisa do Hospital Universitário Clemente Faria, referência regional no atendimento a vítimas de violência sexual, aponta para o aumento dos casos de abuso. Meninas menores de 12 anos são as principais vítimas. A luta para conter este tipo de crime é longa e intensa. Leis são criadas para garantir punição aos criminosos, políticas públicas de conscientização sobre gravidade deste tipo de violência estão sempre em debate, por mulheres que lutam pelo “empoderamento”. As redes sociais se tornaram espaços de denúncia e discussão. Mas tudo parece ainda insuficiente para evitar tanta barbaridade. E assim a pergunta não cala: até quando? 

As redes sociais se tornaram espaços de denúncias e conscientização contra a violência sexual, mas tudo parece ainda insuficiente

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