Água que mata

Editorial / 09/11/2017 - 01h27

Todos os moradores do Norte de Minas desejaram com vigor a chegada do período chuvoso para acabar com dificuldades enfrentadas com a seca tanto nas áreas urbanas quanto na zona rural. E ele chegou com intensidade significativa nos últimos dias, para a alegria da maior parte da população. 

Porém, a mesma água que irriga os campos e viabiliza a produção agrícola pode causar inundações e acidentes, principalmente nas áreas de encostas, que nem deveriam estar ocupadas por residências. E Montes Claros tem algumas áreas em que a chegada da chuva traz mais apreensão do que alívio. 

O Morro do Frade tem quase todas as casas sob o risco iminente de desabamento. Mas as famílias não deixam as casas justamente por falta de uma opção melhor. E essa alternativa tem que ser ofertada pelo poder público municipal. 

Até como continuação do assunto que abordamos na edição anterior, não há em Montes Claros uma política habitacional que atenda às necessidades dessas pessoas, tanto quem vive em áreas de risco quanto em ocupações ou nas ruas (quem passa pelo Centro nota claramente o aumento no número de moradores de rua).

E controle de área de risco se faz com planejamento a médio e longo prazos. Não adianta somente chegar lá no bairro hoje, vistoriar casas e mandar todo mundo sair. Isso tinha que ter sido feito durante o ano para que agora não houvesse ninguém em risco. 

Mas pedir planejamento para quem não está conseguindo nem fazer o básico talvez seja exigir demais. 

A água que cai do céu, irriga os campos e viabiliza a produção agrícola é a mesma que causa inundações e ameaça vidas

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