Tragédia anunciada

Economia e Política / 30/05/2018 - 00h21

O assunto desta semana não poderia ser diferente, a greve dos caminhoneiros.  Não sou do perfil que costuma apoiar greves, acredito que na maioria das vezes os problemas podem ser resolvidos com outras estratégias, um bom diálogo e capacidade de negociação podem surtir efeitos semelhantes. Outro ponto pelo qual tendo a não aprovar esses movimentos é a motivação política que se encontra nos bastidores de grande parte das mobilizações.

Partidos, na maioria de esquerda, se apoderam dos movimentos e aproveitam as mínimas pautas para causar transtorno e levantar suas bandeiras políticas. Sou solidário ao movimento dos caminhoneiros por reconhecer a ausência dos dois pontos citados.

Acompanhei em vários veículos de comunicação os representantes da classe citarem as inúmeras tentativas de negociação com o governo, as pautas foram apresentadas a Casa Civil a quase um ano. A resposta do governo sugeria que os líderes dos caminhoneiros propusessem uma solução, visto que a política de reajustes da Petrobras não poderia ser alterada. Ora, a função do governo é justamente propor soluções se não detém essa capacidade e poder, o que estão fazendo em suas cadeiras?

O problema é que falta um choque de realidade a alguns setores do governo. A Articulação Política e Casa Civil vivem em um contexto que não corresponde ao mundo real onde nós, meros mortais transitamos. Não é necessário ser membro da alta cúpula do Planalto ou um profundo entendedor de logística para prever uma gigantesca crise de abastecimento, caso os caminhoneiros levassem a diante a paralisação que ora prometiam fazer.

Podemos dizer que o acordo foi fechado e o problema foi “resolvido”. Uso as aspas para deixar claro que a solução proposta não liquida a questão, somente altera o bolso de que paga a conta. Nós consumidores de modo geral que iremos pagar a redução dos preços do diesel. Isso não quer dizer que sou contra a política de preços da Petrobrás. O preço do insumo (barril de petróleo) com certeza impacta no valor do produto final, e respectivos aumentos devem ser repassados.

A raiz dos problemas é o monopólio estatal. Sem competição do livre mercado ficamos reféns de uma única empresa, que dita as regras de um insumo tão importante para a economia e vida de um país. Será que realmente “o petróleo é nosso”? Até quarta que vem. 

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