Novela da Pampulha

Economia e Política / 15/11/2017 - 00h56

O Aeroporto da Pampulha volta ser o centro das atenções após a liberação de sua utilização para voos com aeronaves de grande porte para todo o país. Desde que se ventilou a possibilidade da retomada o assunto já gerou polêmica. De um lado os defensores da Pampulha dizem que será um grande avanço ter de volta rotas nacionais a partir de um aeroporto próximo à região central, como já ocorre em outros grandes centros. Os que são contra a medida justificam que é um retrocesso concentrar voos para um aeroporto sem infraestrutura, quando se dispõe de um equipamento de primeiro mundo que é o terminal de Confins.

O debate que se trás anexo a discussão inicial é mais profundo: a credibilidade dos contratos de concessão. É isso que está em jogo. A BH Airport pagou R$ 1,8 bilhão pelo direito de operar Confins, além de investir aproximadamente R$ 750 milhões para construir um novo terminal de passageiros. A retomada de voos na Pampulha com toda certeza seria um golpe no faturamento projetado da concessionária, alterando todo seu planejamento financeiro.

Confins é um importante hub de conexões, o que pode mudar caso haja uma diminuição de voos. Um aeroporto para ser viável como hub de conexão para uma companhia aérea deve ter uma demanda mínima para aquele destino, desta forma pode-se ofertar assentos para se conectar a outros voos de outros destinos. A Azul Linhas Aéreas já faz de Confins seu segundo hub de distribuição, perdendo apenas para Campinas, que é o berço da companhia. 

É verdade que após a Azul encerrar suas operações de voos comerciais para o interior na Pampulha, a estrutura ficou extremamente ociosa (já vinha operando em baixa capacidade desde a retira dos voos de maior porte em 2005). Mesmo com o incremento de rotas da Passaredo e o projeto VoeMinas do governo (que oferece voos ao interior com aeronaves de pequeno porte) a operação da Pampulha continua deficitária. Mas o prejuízo de um equipamento não é justificativa para uma reabertura mal planejada. 

Todo o cuidado é pouco nesta questão, pois na ânsia de querermos nos equiparar a outras grandes metrópoles (que possuem demandas de passageiros no mínimo quatro vezes maior) corremos o risco de voltarmos a ser destino secundário no cenário aéreo nacional. 

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