Equilíbrio financeiro

Economia e Política / 14/03/2018 - 00h09

O consumidor brasileiro não tem o hábito de poupar dinheiro. Os motivos que fazem com que o Brasil tenha uma das menores taxas de poupança do mundo são culturais. Na China, por exemplo, a taxa de poupança é mais que o dobro da brasileira. O chinês poupa 30% do seu salário.

Acredito que parte dessa inabilidade de gerir as próprias finanças tem como origem a falta do ensino de finanças pessoais desde o ensino fundamental. As crianças crescem muitas vezes sem ter a mínima ideia de como tratar o dinheiro e, quando adultas, veem-se na situação onde precisam administrar seus rendimentos, mas não têm disciplina e ferramentas para tal.

Desta forma, além de não poupar, se comprometem com gastos que extrapolam seu orçamento. Para cobrir esse rombo, o indivíduo recorre ao caminho mais simples, os créditos pré-aprovados: cheque especial ou crédito rotativo do cartão.

Por causa da facilidade de contratação e, por consequência, maior risco para a instituição, os bancos cobram maiores taxas para esse tipo de empréstimo. Juros funcionam como prêmios para o risco, quanto maior o risco, maior o juro cobrado. É aí que mora o perigo.

O juro do cheque especial é de aproximadamente 300% ao ano. O que significa que aquele deslize nas finanças pode custar muito mais do que parece. Só não custa mais caro do que deslizar no cartão de crédito. O rotativo do cartão cobra cerca de 320% de juros ao ano. Com a nova regra, a dívida do cartão após um mês passa para a modalidade de empréstimo, ainda assim caro.

Alguns bancos já criaram alternativas para o cheque especial. Agora, clientes que usarem até 15% do limite da conta por 30 dias terão a opção de aderir a uma modalidade mais barata de crédito, mas, ao contrário da regra do cartão, essa mudança é opcional. A melhor solução definitiva para esse problema não vai ser criada por nenhum banco central ou pelo seu gerente. A saúde financeira na grande maioria das vezes só depende de nós, de nosso planejamento e autocontrole

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