Calendário desfavorável

Economia e Política / 06/06/2018 - 00h59

O mercado passou por um ajuste técnico, favorecido por um ambiente mais tranquilo no exterior. Aproveitou para corrigir exageros da semana passada. Mas as incertezas daqui, até no que se refere à Petrobrás, ainda podem produzir muita instabilidade, apesar de o novo presidente da estatal, Ivan Monteiro, ser alinhado com a gestão de Pedro Parente, há uma nítida pressão por mudanças na política de preços. 

Se pensa, por exemplo, em prazos maiores para os reajustes, alterações no ICMs, por exemplo. Dependendo do que vier, se houver possibilidade de perdas financeiras para a empresa ou ficar caracterizada a interferência política, a credibilidade da política econômica vai ficar ainda mais arranhada. O que só joga contra o potencial de reação da atividade, que já tem apresentado desempenho pior que se previa. Sendo que as projeções de inflação e PIB só estão começando a incorporar os efeitos da greve dos caminhoneiros. O impacto efetivo virá da capacidade de reação dos vários setores, como agropecuária e indústria, do ritmo de retomada da produção e da oferta. 

Agora, não podemos esquecer que o calendário joga contra uma reação mais firme da economia nos próximos meses, até no que depende de medidas que tenham de passar pelo Congresso. Estamos perto da Copa do Mundo, depois vêm as eleições. São eventos que atrapalham, inclusive, o consumo, além de reduzir muito a possibilidade de avanços de uma agenda mais produtiva. Agenda cada vez mais comprometida pela própria fraqueza do governo nas negociações com o Congresso, em meio a um forte jogo político, impulsionado, justamente, pelas eleições. Nessa desmobilização do Congresso é preciso considerar também as campanhas políticas e até as festas juninas que, a partir deste mês, ajudam a esvaziar mais as sessões. 

O que temos, portanto, é um cenário não muito animador para a economia, com uma combinação de crescimento menor e inflação maior, pelo menos, na comparação com as projeções de começo de ano. Esse ano deve prosseguir em marcha lenta, com a inflação só não avançando mais porque a própria fraqueza da retomada de atividade limita o espaço para reajustes de preços, até para repasse de aumentos de custos.

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