Vai-não-vai

Coluna Esplanada / 12/01/2018 - 00h38

Naufragou o plano do presidente Michel Temer e da cúpula palaciana de iniciar o ano “a todo vapor” para obter os 308 votos necessários para aprovar a reforma da Previdência em fevereiro. O tema praticamente saiu da agenda – ofuscado pelos tropeços e polêmicas que atingiram o Governo nos últimos dez dias, como o anúncio e recuo nas mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal (regra de ouro), o embate cada vez mais agudo entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro-presidenciável Henrique Meirelles (Fazenda), além da malfadada nomeação da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o comando do Ministério do Trabalho.

Curinga 
O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) foi alçado à articulação política do Planalto para tentar reverter votos e ampliar o placar da Previdência. Mas desde que assumiu o posto dedica-se a apagar incêndios, como o da quase-ministra Cristiane Brasil, e tenta, sem sucesso, reorganizar a base aliada na Câmara. 
 
Rinha 
Além de constranger o Palácio do Planalto, a nomeação de Cristiane Brasil rachou o PTB comandado pelo pai, o ex-deputado condenado no mensalão Roberto Jefferson. Queixas e duras críticas chegaram ao líder do partido na Câmara, Jovair Arantes (GO), que, com seu estilo “coronel”, insiste em dizer que “está tudo bem” no partido. 
 
À altura
O suplente do deputado Paulo Maluf (PP-SP) na Câmara, Junji Abe, coleciona episódios em comum com o amigo presidiário: já foi prefeito (de Mogi das Cruzes) e se enrolou com a Justiça: alvo de pedido de cassação de chapa, teve bens bloqueados e respondeu a quatro inquéritos no STF. Pelos quatro anos que exerceu mandato na Câmara dos Deputados, de 2011 a 2015, Junji Abe, empresário rural e consultor em gestão pública e empresarial, recebe aposentadoria de R$ 23 mil.
 
Boa vizinhança 
Tem motivo o silêncio das centrais sindicais sobre o imbróglio envolvendo a posse da deputada Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho. Todas, em especial a Força, do deputado Paulinho (SD-SP), mantêm apadrinhados em cargos de comando na pasta. 
 
Sabotagem 
A Polícia Federal correu para informar à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, sobre a conclusão das investigações da queda do avião que matou Teori Zavascki. Descartou sabotagem. Esqueceu de avisar a família. O filho do ex-ministro, Francisco Zavascki, horas depois da entrevista do diretor da PF, Fernando Segovia, no STF, não tinha conhecimento do fato. “Que bom”, disse, ao ser informado de que não houve eventual intenção deliberada de derrubar o avião.
 
Encalhou 
O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS – com pedido de investigação do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e seu ex-chefe de gabinete na PGR, Eduardo Pelella –, encalhou no Senado Federal. Os trabalhos da CPMI foram encerrados há um mês e até agora o parecer do então relator, Carlos Marun (PMDB-MS), não foi enviado ao Ministério Público Federal. 
 
PGR
À Coluna, o MP afirma que relatório ainda não foi encaminhado para a PGR e “quando o documento chegar à casa, será autuado como notícia de fato e avaliado – como qualquer representação que é enviada à unidade”. 

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