Dissonância

Coluna Esplanada / 31/01/2018 - 20h13

A reunião do articulador político do Palácio do Planalto, Carlos Marun (PMDB-MS), com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a tropa de líderes aliados, evidenciou a dissonância nos discursos do Governo e da base aliada em torno da votação da reforma da Previdência. O otimismo da Presidência destoa dos relatos dos congressistas. O único consenso do encontro – mais que esperado – foi de que são ínfimas as chances de o texto, que altera as regras da aposentadoria, ser votado em fevereiro. 

Distante 
Os deputados que lideram bancadas alinhadas ao Planalto externaram que faltam entre 50 e 60 votos para alcançar os 308 necessários para aprovar a PEC. 
 
Último ato
Circulou nos bastidores do Palácio do Planalto informação de que a divulgação do balanço do ministério do Meio Ambiente em reunião fechada com ministros foi o último ato de Sarney Filho à frente da pasta. Filiado ao PV, Sarney Filho procura outra legenda para sair candidato ao Senado na chapa da irmã, Roseana, que vai tentar voltar ao comando do Maranhão. 
 
Vossa Excelência 
Segue sem relator a proposta do senador Roberto Requião (MDB-PR) que quer acabar com o uso dos termos “Vossa Excelência”, “doutor” e outros pronomes utilizados no tratamento de autoridades. O projeto de lei (PLS 332/2017) está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e limita o tratamento a “senhor” e “senhora”.
 
Querida 
Requião apresentou a proposta após protesto de procuradora da República, Isabel Cristina Groba Vieira, que foi chamada de “querida” pelo ex-presidente Lula durante depoimento. 
 
Insatisfações 
O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Humberto Martins, saiu em defesa do colega Gilmar Mendes – alvo de recentes protestos. “As insatisfações pessoais contra as decisões proferidas devem ser combatidas por meio dos canais próprios estabelecidos em nosso ordenamento jurídico”, pregou Martins. 
 
Mouco 
Presidente do PTB, o delator do mensalão Roberto Jefferson faz ouvidos moucos aos apelos de deputados e dirigentes do partido que exigem a indicação de outro nome para o comando do Ministério do Trabalho. “Será a Cristiane e ponto”, tem respondido o exasperado Jeferson em referência à filha quase ministra desde o início de janeiro. 
 
“Gente como nós”
Mais constrangedor e inapropriado que o vídeo de Cristiane Brasil, foi a avaliação do testa de ferro de Temer na Câmara, Darcísio Perondi (MDB-RS): “Ela é um ser humano. Ela é gente como nós”. 
 
Chacina
Passados 14 anos da Chacina de Unaí, empresários condenados pelo assassinato de três auditores e um motorista continuam à solta. “Não é possível um processo se arrastar por tanto tempo. Existem provas suficientes para a condenação”, diz a dirigente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Rosa Maria Campos. Hoje, os auditores realizam ato em São Paulo, em frente à Superintendência Regional do Trabalho, para cobrar a prisão dos quatro empresários condenados. Rosa Maria lembra que, apesar dos cortes no orçamento, 43.428 pessoas foram resgatadas em situações análogas a escravidão de 2003 a 2017.

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