Corrupção ‘expulsa’ mais de 400

Coluna Esplanada / 05/01/2018 - 04h50

Atos de corrupção, abandono de cargo e inassiduidade foram os principais motivos de expulsão de servidores públicos ao longo de 2017. Por mês, em média, 40 servidores receberam cartão vermelho e deixaram de integrar os quadros da administração pública. O Rio de Janeiro liderou o ranking de expulsões (89), seguido de São Paulo (41), Minas Gerais (37), Santa Catarina (24), Pará (20) e Rio Grande do Sul (17). Dos mais de 400 servidores punidos, 106 pertenciam aos quadros do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), 103 do Ministério da Educação e 79 do Ministério da Justiça. 

Trajetória 
Entre 2003 e 2017, foram registradas mais de seis mil expulsões de servidores públicos, conforme o Ministério da Transparência. No ano passado, 65% das punições foram fundamentadas em investigações de corrupção.
 
Trôpega
A articulação do Planalto por votos para aprovar a reforma da Previdência anda trôpega. O presidente Michel Temer desacelerou para cuidar da saúde, ministros emendaram as festas de final de ano e muitos líderes aliados estão “incomunicáveis”. A “corrida contra o tempo”, aliás, não parece afetar o PSDB, partido que já fechou questão a favor da reforma, mas que ainda busca mudanças no texto da PEC. O principal interlocutor do partido, Carlos Sampaio (SP), com o relator da proposta, Arthur Maia (PPS-BA), afirma que conversas “só serão iniciadas ao final de janeiro”.
 
Transição 
Os tucanos querem mudar a regra de transição. O último texto apresentado criava idade mínima para a aposentadoria, que aumentaria um ano a cada dois de contribuição até que houvesse um patamar único em 2042. No PSDB, pelo menos, não se fala em “transição mais branda” e, sim, “mais justa”. 
 
Para inglês ver 
A Comissão de Ética Pública da Presidência pode até abrir investigação contra o ministro falastrão Carlos Marun, mas é ínfima a possibilidade de recomendar alguma punição ao peemedebista. Representações contra integrantes do alto escalão do Governo, como a protocolada por servidores públicos, foram parar na gaveta. O atual chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ex-ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, foram inocentados pelo colegiado da acusação de “infração ética” por declarações mais polêmicas que a do atual articulador político do Planalto. Marun insinuou que as torneiras da Caixa serão fechadas para parlamentares e governadores que não apoiarem a Previdência. 
 
Quem é quem 
2018 começou a baixa de dois ministros no governo Temer: Trabalho e Indústria e Comércio. Em compensação, o das Cidades parece ter dois titulares. Apesar de Alexandre Baldy ser o titular, o deputado Bruno Araújo ainda mantém perfis na rede ostentando o cargo. 
 
Bola fora 
Mas bola fora mesmo foi da assessoria do articulador político do Governo – ele mesmo, Carlos Marun. Foi divulgada reunião com o ministro das Cidades e o nome de Gilberto Kassab, cargo que o ex-prefeito de São Paulo deixou em abril de 2016.
 
Em casa 
Condenado no mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, indicou a própria filha, Cristiane Brasil, para comandar o Ministério do Trabalho. Horas antes da reunião com Temer, no entanto, Jefferson desconversava: “Não sei se será possível fazer isso (indicar um nome) ”. Foi.

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