Um estudo do respeitado Instituto Karolinska levantou a hipótese que mulheres obesas talvez precisem realizar mamografias com mais frequência do que as outras, uma vez que é mais difícil detectar o tumor na fase inicial. O estudo foi feito entre 2001 e 2008, com mais de 2 mil mulheres diagnosticadas com câncer de mama, em Estocolmo, na Suécia. O objetivo era entender por que muitas só eram diagnosticadas com a doença quando o tumor já estava grande. A conclusão foi de que o índice de massa corporal (IMC) acima dos 30 e a densidade das mamas estão relacionados a isso.

Os pesquisadores continuaram acompanhando as pacientes até 2015 e constataram que o tumor nas obesas e com mama densa mais frequentemente era detectado com o tamanho maior do que 2 cm. É um parâmetro importante, pois é o que separa o estágio 1 da doença, do 2.

O estudo sugere, portanto, que é mais difícil detectar tumores pequenos em mulheres obesas ou com mamas densas, mas não sabemos realmente se essas pacientes seriam beneficiadas com a realização de mamografias com maior frequência. Faltam evidências que provem que, se diminuirmos os intervalos das mamografias nessas mulheres, faremos diagnósticos mais precoces. A princípio, pode parecer algo lógico e óbvio, mas não foi comprovado por pesquisas.

De toda forma, caso o exame encontre lesões que precisem ser acompanhadas, os intervalos entre a mamografia podem ser mais curtos do que os habituais. Assim, definimos as imagens que podem ser monitoradas e as que necessitariam de biópsias para esclarecimento.

Diante da dificuldade em interpretar uma mamografia por causa da densidade aumentada ou por se tratar de mamas volumosas, devemos associar outros métodos no rastreamento, como a ultrassonografia ou a ressonância nuclear magnética – esta última apenas em condições excepcionais, como mutação genética patogênica comprovada.

O Ministério da Saúde recomenda que a mamografia seja feita na faixa etária entre 50 e 69 anos, uma vez a cada dois anos. Mulheres com maior risco para desenvolvimento de câncer de mama – com histórico familiar (parentes de primeiro grau), com determinadas mutações genéticas ou que foram expostas à radiação ionizante (radioterapia) antes dos 35 anos – devem ser avaliadas individualmente para decidir, juntamente, com um especialista sobre como será sua rotina de mamografias.

A recomendação oficial, no entanto, não é consenso entre os profissionais brasileiros. Muitos concordam com a sugestão da American Cancer Society (ACS), de que sejam realizadas mamografias anuais após os 40 anos e uma mamografia base entre 30 e 35 anos.

Entretanto, não há qualquer recomendação especial para o rastreamento mamográfico em mulheres obesas ou com mamas densas. Não há bases suficientes para mudar a recomendação da frequência dos exames. Além disso, alterar a rotina de rastreamento não resolveria o problema, uma vez que a mutação celular acontece de maneira lenta e as chances de encontrar mudanças, em um curto período, seriam mínimas.