“Beije devagar e perdoe rápido”! Concluiu ele num tom afetuoso e intimista, já de despedida, naquela que seria sua última lição de iniciação a jovens discípulos, cuidadosamente preparados para difundir suas ideias e seguir seus destinos... 

“Prolonguem os bons momentos e abreviem os ruins”! Foram Suas últimas palavras antes de abraçar carinhosamente cada um daqueles pacientes pupilos que, de agora em diante, iriam iniciar suas caminhadas individuais, percorrendo o sinuoso trajeto que os levaria um dia à condição de novos mestres.

Não é mais segredo para ninguém que temos nas nossas emoções um excelente indicador comportamental... Mais do que isso, elas nos sugerem a cada momento nosso grau de conexão com aquilo que temos de mais valioso dentro de nós, com aquilo que de mais essencial possuímos na alma...

É impossível estarmos bem, felizes, saudáveis e amorosos sem sermos nós mesmos, sem estarmos identificados com nossas verdadeiras vocações e legítimas ambições...

Boas emoções reforçam nossas ligações espirituais e psicológicas naturais e verdadeiras, trazendo paz, inspiração, criatividade, entusiasmo e vitalidade... Além do mais, elas acabam por influenciar nossos pensamentos e atitudes de forma positiva, atraindo mais benesses ao que já estava tão bom, criando um ciclo virtuoso de ganhos, realizações e bem-estar inigualáveis...

Todos nós nascemos com um grande reservatório de fluidos positivos e curativos, de bênçãos, benesses e bondades, que vão se materializando ou não com o tempo em nossas vidas...

Essa caixa d’água do bem enche toda vez que experimentamos alegria, prazer, satisfação, amor, júbilo e solidariedade...

A verdade, porém, é que a vida também é feita de perdas, percalços, derrotas, fracassos, quedas, traições, dor e contrariedades... Ninguém é imune ao mal que ronda a terra e mora no coração dos que cultivam a inveja, a ganância, a violência, a desordem, a exploração, a injustiça, a pilhagem, o sadismo, a loucura, a morte...

Cultivar, no entanto a preocupação, a tristeza, a mágoa, o rancor, a angústia, a depressão, o inferno interior, só destrói o que temos de melhor, só nos afasta do nosso equilíbrio saudável, só nos desconecta do nosso manancial interno, diminuindo o nível do nosso reservatório magnético, de nossa reserva luminosa, de nosso lastro divino.

Perdoar depressa, mais do que uma demonstração de grandeza que praticamos, mais do que um sinal de humanidade que exercemos, é um gesto de lucidez, um ato de inteligência, um movimento estratégico que nos preserva contra o envenenamento emocional, a intoxicação psicológica, estancando do nosso bom reservatório o indesejado vazamento, que só nos tornaria mais pobres, áridos, vulneráveis, sombrios, improdutivos e infelizes.

Prolongar o beijo é investir em novos grandes momentos de felicidade, é prolongar o êxtase da graça de viver, é desfrutar as delícias do paraíso prometido, é aumentar nossas chances de estarmos sempre mais próximos do porvir!

Cuide bem de você!