“Bem é bem... Mal é mal!”. Disse o mestre num tom assertivo, naquela que seria sua penúltima lição àquele grupo de jovens discípulos.

“Não existe esta história de males que vêm para bem!”. Continuou ele enfaticamente, alertando seus seguidores dos perigos por detrás de tais interpretações. 

“Espiritualidade não é sinônimo de ingenuidade...!”. Foram suas últimas palavras naquele encontro, onde procurou preparar seus pupilos para as agruras, armadilhas, traições, maledicências, crueldades, tiranias, invejas, indiferenças, desprezos, preconceitos, injustiças que certamente teriam que lidar e enfrentar brevemente nas suas andanças pelo mundo.

A preocupação do mestre com o tema, justo agora que se aproximava o momento de separar-se dos seus discípulos, é bastante compreensível e justificável... 

Na realidade, o mestre estava tentado preveni-los, prepará-los, vaciná-los, conscientizá-los do que certamente iriam enfrentar, muitas vezes de forma camuflada e supersticiosa, maquiada e dissimulada, escondendo suas verdadeiras raízes e intenções.

De fato, o mal existe desde que o mundo é mundo e serve até como contraste para o bem! 

Não dá para separar o mal do bem neste planeta em que vivemos!

Ele está inoculado na grande gema de ovo do Universo, como uma marca vermelha num oceano amarelo do bem, ainda que aparentemente inerte, ainda que inocentemente inativo, mas potencialmente capaz de a qualquer momento eclodir volumoso, sem dar chances de reverter o processo maléfico.

Talvez seja por isso, pelo seu poder de aniquilação e capacidade imensa de produzir sofrimento que Maquiavel recomendava fazê-lo, quando indispensável e inadiável, logo de uma só vez ... Fazer o mal a conta gotas é sadismo!

Este conflito entre o bem e o mal transcende os séculos... 

De fato estamos equipados naturalmente até com nosso paladar para identificar sabores amargos dos bons e saborosos frutos da vida! 

Temos nosso intelecto, nossos sentidos, nossos sentimentos e emoções como sensores e detectores daquilo que nos fascina ou detestamos, daquilo que nos conforta ou nos enlouquece, daquilo que nos ampara ou nos aterroriza...

O divino em nós nos oferece gratuitamente a sensação do bem... Mal-estares são então sinais inequívocos de que algo está errado em nós, sejam em nossas posturas, crenças, atitudes ou pensamentos.

No fundo, o mal e o bem residem dentro de nós...

São dois lobos famintos, quase gêmeos, dois animais internos que guardamos no fundo da alma, e que estão o tempo todo em luta constante, sem trégua, sem recesso, em verdadeira guerra... 

Vence aquele que alimentamos mais!

Cuide bem de você!