O processo de decisão do tratamento durante muitos anos foi centrado exclusivamente na decisão do médico. Reconhecido por seu notório saber, competia a ele prescrever o melhor tratamento e ao paciente seguir sua orientação sem contestação.

A importância da participação ativa do paciente nos processos de discussão e decisão quanto ao seu tratamento só muito recentemente foi reconhecido como parte essencial dos cuidados médicos. O conceito que tem atualmente norteado a prática médica se apoia na filosofia conhecida como medicina baseada em evidência. 

Esta se alicerça em três princípios: o médico deve basear suas decisões em orientações que apresentem a melhor evidencia externa disponível, ou seja, estudos bem elaborados e publicados em revistas médicas de reconhecida excelência; deve usar sua experiência acumulada e seu senso crítico em benefício do paciente e, finalmente, ouvi-lo respeitosamente. 

Nenhum ato médico pode ser realizado sem que a pessoa seja adequadamente informada de seus efeitos colaterais e benefícios. O tratamento deve ser realizado, portanto, apenas se houver expresso consentimento do paciente.

Mais recentemente, a Health Foundation, entidade filantrópica independente do Reino Unido recomenda que se ampliem os limites do modelo tradicional biomédico, centrado na doença, para a prática do tratamento centrada na pessoa. Sugere que se avalie de forma mais global o significado da doença para o paciente, considerando três direitos fundamentais: o de ser tratado com dignidade, com respeito e compaixão, buscando os valores que são importantes para a pessoa que receberá o tratamento.

Todos nós somos diferentes e reconhecemos o adoecer de maneira muito particular, temos temores, fundados ou fantasiosos, e somos capazes de enfrentar a realidade de forma muito própria. O tratamento deve ser adaptado às necessidades e aspirações de cada indivíduo e não obrigatoriamente ser realizado de forma padronizada.

Muitos fatores podem influenciar no desejo do paciente de opinar e de se envolver nos processos de decisão do tratamento, como fatores sociais, culturais, o tipo de doença, estado físico, crenças e preferências individuais. Alguns pacientes voluntariamente transferem seu direito de opinar a seus familiares ou ao médico, sendo indispensável respeitar suas limitações. 

Em muitos casos os pacientes querem desenvolver um papel ativo na escolha do tratamento e os profissionais de saúde devem apoia-los em suas decisões. Existem pesquisas que demonstram que em casos de participação ativa os pacientes são mais aderentes ao tratamento e mais satisfeitos com os cuidados; também os profissionais de saúde se sentem mais gratificados com aumento do senso de integração e melhora no relacionamento com os pacientes.

No contexto atual muito se discute sobre a necessidade de humanização dos cuidados e, seguramente, um passo nesta direção é a adoção das medidas sugeridas pela medicina centrada no paciente.