Tido como o mal do século, o estresse atinge cerca de 90% da população mundial, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em pesquisa realizada em 2013. Para a população brasileira, a situação ainda é pior. De acordo com pesquisa da Associação Internacional do Controle do Estresse, o Brasil é o segundo país mais estressado do mundo, atrás apenas do Japão. Com os gatilhos causadores do estresse surgindo por todos os lados no dia a dia, as consequências no organismo são inúmeras. Na saúde bucal não é diferente – desde aftas até problemas mais graves.

Como o estresse libera os hormônios hidrocortisona e cortisol e produz um alto nível de adrenalina, isso pode provocar um efeito pró-inflamatório. Além de potencializar a predisposição às doenças periodontais, se for aliado a maus hábitos de higiene bucal pode desencadear infecção gengival e aftas. Em exposição à situação de estresse, o indivíduo desregula seus hábitos e, muitas vezes, negligencia a saúde. O consumo de álcool, fast food e doces aumenta; o uso do cigarro pode se tornar hábito; e a higiene bucal diária fica de lado. Além disso, a boca seca também é causada com mais frequência nesses casos de alta tensão. Isso porque o nervosismo pode prejudicar a produção de saliva, levando o indivíduo a dor, rachaduras nos lábios e, até mesmo, mal hálito.

Problema também comum, porém, mais grave, decorrente do estresse é o bruxismo. O transtorno é caracterizado por ser o ato de ranger e apertar os dentes involuntariamente. Além de desgastar e torná-los extremamente sensíveis, o bruxismo pode levar a dores de cabeça, já que a articulação temporomandibular sofre com a drástica movimentação. Os sintomas devem ser observados, para que o tratamento do bruxismo comece logo no início. Músculos da mandíbula doloridos, dentes danificados ou amolecidos, perda dos dentes e dores de cabeça são alguns dos sintomas mais recorrentes. Em casos de desgastes deve-se reparar a perda com facetas, coroas de porcelana ou compósitos híbridos o mais rápido possível. Se o amolecimento dental estiver grande ou se houver perda dental, deve ser colocado o implante dental.

Outro problema que assombra muitas pessoas é o herpes. Apesar da maioria da população já ter tido contato alguma vez na vida com o vírus, somente algumas desenvolvem. O vírus do herpes fica em estado de latência até que seja estimulado por algum fator. Como durante um quadro de estresse ou ansiedade a imunidade do indivíduo cai, o corpo fica menos resistente e apto à lesão.

Para evitar consequências mais graves, como doenças periodontais mais severas, o ideal é manter a atenção à saúde bucal sempre, mesmo em períodos mais conturbados. Escovação após refeições, uso regular de fio dental, enxaguante bucal, acompanhamento semestral com dentista são parte da rotina. Além destes cuidados diários, é preciso também tratar os agentes causadores do estresse, já que eles podem ser chaves para o distúrbio que desencadeia problemas bucais.