“Podem me prender, podem me bater/ Podem até me deixar sem comer/ Que eu não mudo de opinião/ Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não.../” (Zé Keti)

Exceto “maria vai com as outras”, quase todos têm opinião. Com as redes sociais qualquer um pode externá-la de forma pública. Isso mostra que a liberdade foi alcançada, e que doravante, possa perdurar. 

O ruim, além das fake news, as tais mentiras deslavadas, são as bobagens. Nem ouso separar as coisas, prefiro ler várias fontes, lendo e analisando comigo, tirando a média e separando o que de útil possa ter ali. Nenhum modo de pensar me desequilibra, ainda que possa me assustar, momentaneamente.

Ouço rádio, vejo vários canais de TV e leio tudo, da direita à esquerda, desde os aparentemente sensatos aos disparates de lado a lado. Há afirmativas tão absurdas, que sinto logo ser inverdades, outras são loucas e ainda outras se mostram ingênuas. Nem sei onde me encaixo, quando escrevo a minha verdade.

Evito generalização e radicalização. É bom conhecer opiniões opostas às minhas, mesmo que me firam os brios, pois até dali posso tirar algo aproveitável para fazer um mix com o meu jeito de pensar. Em geral as pessoas estão como feras, exalando ódio, intolerância, e com as garras de fora, querendo acertar a jugular do oponente, ali visto como inimigo. Contraditoriamente, divulgam vídeos com flores, bichinhos e crianças graciosas.

Em que altera a sua vida o que anda na cabeça de alguém, um pensamento que nada mais é do que química e histologia, neurotransmissores e células cerebrais? Não muda nada. A menos que o convencimento vá salvar você da escuridão intelectual. E há tantos salvadores. Eles encrespam o pelo ao se deparar, e na sequência se confrontar com alguém de pensamento contrário. Como se não bastassem os embates políticos e as torcidas de futebol, há os que querem sequestrar a sua alma, e apenas os que pensam da maneira deles entrarão no céu. Existe céu?

Leio alguns, mas de um modo geral fujo de conversas/textos panfletários. Não faço a tréplica em rede social. Não se trata de não me posicionar, nem de ficar em cima do muro, mas opinar civilizadamente, com respeito, ainda que com firmeza, buscando interagir com vários pensamentos, sem fechar a porta.

Quanto mais insegura é a pessoa, embora finja convicção, menos tolera alguém de livre pensar, que usa do seu raciocínio individual para chegar a uma conclusão, especialmente quando se tratam de religião, política e futebol. Esses três assuntos são citados como proibidos, mas são os mais gostosos de ser discutidos. De preferência, educadamente, com espaço para todos que queiram se manifestar. Até mesmo os discursos decorados, que se forem interrompidos levam a pessoa a perder o fio da meada e não conseguir voltar, se deve tentar ouvir.

Uma opinião contrária a sua não é uma ameaça. Ser inteligente e civilizado é assim: garantir o direito de liberdade de pensamento e de opinião de todos.