Quando assinamos um contrato de trabalho com uma empresa, organização ou assumimos um cargo público, seja por concurso ou outro critério, o nosso primeiro compromisso profissional passa a ser com o contratante. Com o passar do tempo, às vezes ocorre, por diversas razões: uma demonstração de insatisfação do contratado com as suas tarefas, seja pelo salário insuficiente para pagar as suas despesas; por descontentamento com a chefia ou com algum colega de trabalho ou até mesmo por sofrer algum tipo de assédio, entre outros.

Neste momento, o contratado pode vir a faltar com o compromisso assumido. Seja como fuga ou até mesmo por necessidade, a pessoa desinteressada pelo seu trabalho começa a distribuir currículo no afã de conseguir outra colocação. Há ainda aqueles que, não conseguindo o que almejam, começam a fazer o famoso “bico” para aumentar a renda.

Considero incorreta essa postura, pois o comprometimento é fundamental para cumprir as obrigações assumidas com a empresa ou órgão contratante. Em alguns setores do serviço público, apesar de inconveniente, a prática do “bico” pode ser até aceita, sejam pelos baixos salários, atrasos no pagamento ou outras razões.

Não me refiro aqui ao professor que, com salário modesto e poucas aulas, praticamente se vê obrigado a “pular de galho em galho” ou de escola em escola em busca do sustento de sua família. Conheço muito bem essa rotina porque já passei por isso. A constante busca pelo conhecimento faz do professor um profissional apto para atuar tanto no contexto acadêmico quando no cenário empresarial. Aliás, é bom ressaltar que o professor que também exerce outra atividade fora da sala de aula no ambiente corporativo é hoje bastante valorizado pela escola devido à prática que pode ser compartilhada, além da teoria, com os alunos.

Temos assistido, em transmissões ao vivo pela televisão, a autoridades declararem, em pleno processo decisório de uma questão que poderia influenciar a vida de milhares de pessoas, que teriam compromisso já assumido ou viagem inadiável e que não poderia mais postergar uma determinada sessão. Ou seja, questões secundárias e pessoais acabam afetando as atribuições do cargo primeiro que assumiu. 

Entendo que a prioridade de qualquer profissional deve ser aquela para o qual se preparou para exercer em toda a sua plenitude, seja em órgãos públicos ou empresas privadas. Quando isso não ocorre, há de se perguntar: onde está a ética, a cidadania e o compromisso assumido?

A pessoa que está no topo da pirâmide tem por obrigação tornar-se um bom exemplo dentro ou fora da organização que representa. Do contrário, como poderá exigir comportamento idôneo dos que estão em posições inferiores? No ambiente familiar, como um pai ou uma mãe podem ensinar os seus filhos sem oferecer-lhes o exemplo necessário? Como fica o papel do professor em sala de aula quando questionado por seus alunos?

Não podemos aceitar passivamente exemplos como esses. Este não é o Brasil que desejo para mim e para minha família, especialmente filhos e netos.