Conviver com um cachorro é garantia contra solidão, especialmente se adotado. O amor dele para com o dono é ainda maior. Costuma agradecer tudo o que é feito por ele. E se a pessoa estiver melancólica, ao chegar em casa, se sentirá valorizada pela calorosa recepção.

Criança com dificuldades no convívio social ou com atraso motor ganha confiança e respeito quando interage com cães. A ciência mostra isso com todas as letras. A presença do cachorro beneficia todo mundo, ainda que deem trabalho quando pequenos ou muito jovens. É preciso que sejam educados com inteligência.

Na casa dos meus avós sempre teve cachorro, e quando eu era menina havia um cão feroz, que avançava até nas pessoas da casa, pois fora criado preso no quintal. Seu nome era Czar, e só respeitava água fria. Um dia escapou e Milena, a minha mãe, o encontrou sobre a cama, com as quatro patas em cada lado do meu irmão Helder, recém-nascido. Naquele dia, ela ficou apavorada. Tinha medo de cachorros e nos passou esse sentimento. 

Uma vez, minha irmã Carla foi mordida na coxa por um cachorro da vizinha de Tia Clarice. As primas saltaram o muro para pegar mangas, mas o animal guardava o local com convicção. Foi péssimo para a menina. Dentro do tanque e debaixo de água fria, Milena lavava a ferida e brigava com ela. Nunca tive animal em casa porque meu ex-marido não gostava, mas há anos venho observando esses fiéis bichinhos.

De uns meses para cá, vejo uma grande quantidade de cães abandonados ruas afora. O centro da cidade está cheio deles. Na entrada do prédio onde trabalho há três moradores de patas, e pulgas no tapete da entrada. Além do medo de ser atacada, e isso está virando rotina, o receio das doenças transmitidas por cachorros tem se tornado maior.

Não sou dermatologista, mas já vi casos de leishmaniose mucocutânea, inclusive com deformidade facial permanente por perda da cartilagem do nariz. Após a biópsia, quando se encontra o protozoário Leishmania, diagnostica-se a leishmaniose cutânea, doença infecciosa não contagiosa.

O temível calazar ou leishmaniose visceral, também transmitido pela picada de mosquito, matou Geraldo Quirino Rodrigues Júnior, filho de minha prima Márcia Prates, quando ele tinha 34 anos. Desde que a doença se manifestou de forma grave, foi levado ao hospital e morreu 11 dias depois.

A raiva ou hidrofobia é uma encefalite, que, quando instalada, é fatal. Trata-se de doença virótica, prevenida pela vacinação animal. Já estive cara a cara com uma moça doente, que faleceu.

Li nas redes sociais reclamações sobre o problema dos cães abandonados pelas ruas de Montes Claros, assim como comentários críticos, em favor dos animais e contra o reclamante. Os cachorros precisam viver, a cidade precisa evoluir e a população necessita de paz. Canis, castração, adoção, não sei qual o melhor caminho. Trata-se de urgência urgentíssima. Espero que as autoridades tomem a decisão acertada e resolvam essa ameaça, preservando vidas e protegendo pessoas, antes que muitos morram.