“Que o teu alimento seja o teu remédio e teu remédio seja o teu alimento”. Com essa frase Hipócrates, considerado o pai da medicina, aponta a importância da alimentação. De acordo com um estudo divulgado na revista da Academia Americana de Medicina, a deficiência ou a ingestão exagerada de alguns fatores explica 45% dos 702.308 óbitos registrados nos Estados Unidos em 2012 por infarto, derrame e diabetes 2. Dieta baseada em escolhas erradas não é uma realidade somente nos EUA. Apesar da procura por alimentos saudáveis, muitos brasileiros ainda se alimentam incorretamente.

Assim como a alimentação pode ajudar no tratamento da obesidade, hipertensão, fertilidade, cognição, diabetes e prevenção dessas e outras doenças, uma dieta baseada em escolhas ruins – com alimentos processados, industrializados, com excesso de conservantes, sódio ou açúcar – pode desenvolver problemas seríssimos de saúde, que podem levar o paciente, até mesmo, a óbito. Por isso, a escolha do que levar à mesa deve ser feita com cuidado e atenção. Por exercer um peso muito grande no funcionamento do corpo, quando nos alimentamos mal, nosso corpo sente. Por isso, a necessidade de fazer escolhas certas do que levar ao prato.

Segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo máximo de sódio por dia não deve ultrapassar 2 gramas. No entanto, pesquisas apontam que o consumo médio dos brasileiros é superior à metade recomendada pela OMS, 4 gramas. A ingestão exacerbada de alimentos com sódio pode contribuir para o surgimento da hipertensão arterial. 

Além disso, o sódio faz o corpo reter mais líquido e, consequentemente, ganhar peso; propicia a quebra dos ossos, já que o excesso do mineral pode levar a perda de cálcio pela urina; e causa problemas remais, pois a concentração do sódio muito alta leva a formação de cristais. Outro ingrediente que merece muita atenção é o açúcar. Além de levar ao diabetes tipo 2, se consumido em excesso, o açúcar pode desenvolver problemas hepáticos, estágios inflamatórios, aumento da gordura abdominal, infarto e derrame.

Se for regrada, a alimentação pode auxiliar em diversas funções do corpo que estão com problemas. Alimentos in natura não possuem excesso de sódio e açúcar, sendo assim, já trata/previne hipertensão, obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. Para as mulheres que querem engravidar, a minha recomendação é diminuir consideravelmente o consumo de café, já que cafeína compromete a absorção de ferro e cálcio e aumenta o número de radicais livres no corpo. 

Diminuir soja e carboidratos refinados também deve ser uma medida adotada, pois o primeiro interfere no hormônio estrógeno e o outro atrapalha no absorvimento das vitaminas do complexo B, ferro e antioxidantes. Disposição, cognição, alergias. Podemos tratar várias disfunções através do que comemos. Assim como Hipócrates, Paracelso dizia há centenas de anos: “A arte da cura vem da natureza, não do médico. Assim, todo médico deve começar da natureza, sempre com a mente aberta”.