É sabido que temos duas formas de aprender... pelo prazer ou pela dor! É óbvio que o ideal e mais confortável é sempre aprender prazerosamente... Mas, infelizmente, não é assim que acontece na maioria das vezes...

Uma das razões é porque experiência não se transfere e dificilmente conseguimos aprender com os erros alheios... Preferimos realizar nossos próprios movimentos, nossas próprias escolhas, nossas próprias tropeçadas, para evoluirmos como seres em melhoria contínua... E assim, como reza as escrituras segundo Lulu Santos, “caminha a humanidade a passos de formiga e sem vontade”...

A verdade é que o erro faz parte de nossa aprendizagem... A própria cibernética nos ensina a mirar no erro para acertar o alvo através de ajustes finos sistemáticos... Ninguém gosta em sã consciência, a menos que seja um masoquista, de viver sofrendo... Porém, querer evitar o confronto com medo de perder, querer sabotar a luta com medo de doer, querer desistir dos sonhos com medo de frustrar-se é desistir muito cedo de viver, é aposentar-se prematuramente demais...

Também não dá para sofrer calado, aceitar passivamente tanta falcatrua, conviver com tanta hipocrisia, compactuar com tanta desigualdade, aceitar tanta violência, sem se indignar, sem se manifestar, sem botar o bloco na rua... Afinal de contas o bom cabrito é que berra!

Embora se possa gemer também de prazer e felicidade, na maioria das vezes soltamos nossos rugidos diante dos desafios urbanos, do transito caótico, da concorrência desleal, da falta de perspectiva, da omissão dos poderosos... Quando, porém, são sinceros, honestos e consequentes podem desencadear uma transformação interior surpreendente, uma revolução social, uma inovação preciosa... 

A crise provoca mudanças, e as pessoas têm diferentes habilidades para lidar com ela, e especialmente de tirar proveito dela! Se Braille não tivesse ficado cego aos 3 anos, devido a um acidente doméstico na França em 1812, com certeza não teria desenvolvido um sistema de comunicação em alto relevo para cegos de todo o mundo...

Para nós nada mais simbólico do que o surgimento do “blues” nos EUA, que significava tristeza para negros escravos que não podiam tocar instrumentos e usavam a voz para ditar o ritmo lúgubre das canções em formas de lamentos e gritos de melancolia... Assim são inúmeros os exemplos na história que mostraram a transcendência do gemido, da dor, indignação para a arte, para a ciência, para a democracia, para a espiritualidade...

No mundo moderno este cenário é bem mais colorido dos variados matizes de sofrimentos, onde impera o individualismo, o consumismo e a indiferença social, cada qual procurando dar conta de sua carga de necessidades que faz cada sapo pular... 

Enquanto porém, conseguirmos manifestar nossos sentimentos estaremos a salvo, imunes à loucura e à alienação existenciais, pois como disse Martin Luther King “o que preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons!”

Cuide bem de sua humanidade!