Montes Claros tem atualmente 15 mil pessoas vivendo em situação de alta vulnerabilidade social. Os dados da Secretaria de Desenvolvimento Social baseiam-se na média nacional. 

O pedreiro Carlos Alexandre Cardoso reside há dois anos às margens do córrego do Renascença e se encaixa nesse perfil. 

Ele conta que os moradores do local não recebem nenhum auxílio por parte do poder público. 

“Trouxe a minha família para cá porque fiquei dez meses sem arrumar um serviço e não tinha como pagar o aluguel no bairro Village do Lago 2. A situação de quem mora aqui é delicada. Você vê as crianças precisando de leite ou de alguma outra alimentação e não tem. Recebemos às vezes é alguma caridade dos vizinhos; eles dão cesta básica e roupas. A prefeitura diz que estão reformando casas no Monte Sião e que vão estudar a possibilidade de ceder algumas vagas. O que nos resta é aguardar”, conta Carlos.

De acordo com a professora de sociologia Jane Pereira, a falta de planejamento urbano em áreas afetadas pela pobreza e violência torna a região ainda mais vulnerável.

“Temos como exemplos o bairro Cidade Cristo Rei, no Centro, que possui um aglomerado dentro de seus limites, além dos bairros da região industrial. Cabe ao poder público produzir alternativas para melhorar a qualidade de vida de seus moradores”, diz Jane.

EXPLICAÇÃO 
O diretor municipal da Secretaria de Desenvolvimento Social, Wellington Fernandes Silva, destacou que por ser uma cidade polo e de médio porte, Montes Claros possui uma enorme importância socioeconômica para o Norte de Minas, sendo o local para onde muitas pessoas da região ou até mesmo de outros estados se deslocam em busca de emprego. Muitas passam a ocupar as áreas periféricas da cidade. 

“Não podemos afirmar que o índice tenha crescido nos últimos anos, mas sim que tenha se tornado mais visível. O levantamento sobre a renda e o poder aquisitivo de cada região do município foi iniciado em 2017 e tem previsão para ser concluído em julho deste ano. Os dados sobre a população com alta vulnerabilidade social na cidade começaram a ser levantados desde 2014 e partir daí ações de inclusão são desenvolvidas pelo município,” explica Wellington.