O Procon de Montes Claros registrou de janeiro até a última quarta-feira 668 queixas envolvendo clientes que se sentiram lesados por instituições financeiras em operações de crédito. O número é 4,8 vezes maior do que a quantidade de reclamações do tipo em todo o ano passado. O campeão de reclamações é o crédito consignado fornecido sem a autorização do cliente, com 110 casos registrados no órgão somente neste ano.

O crédito consignado tem as parcelas deduzidas diretamente da folha de pagamento do contratante e pode ser obtido em bancos ou financeiras. Irano Rodrigues é aposentado por problemas de saúde e está endividado devido a empréstimo realizado sem a autorização dele.

“Deveria receber salário mínimo, que já não é muito, mas fizeram um empréstimo em meu nome com duração de cinco anos, aí estão descontando no meu ordenado”, conta.

O aumento das reclamações contra instituições bancárias – incluindo da contestação de taxas de juros a práticas graves, como empréstimos fraudulentos – levou o Procon de Montes Claros a fazer ações para orientar a população a não cair em armadilhas.

“Um dos principais problemas enfrentados pelos consumidores é a prática abusiva de empréstimos consignados cobrados sem que tenha havido a contratação. Estas fraudes atingem principalmente idosos e servidores públicos”, disse o diretor do Procon na cidade, Alexandre Braga.
 
COMBATE
Segundo ele, as vítimas desse tipo de ação são, na maioria das vezes, abordadas no meio da rua. Um funcionário da financeira apresenta, então, as “facilidades” do crédito consignado. “O Procon tem atuado através dos procedimentos administrativos, pelos quais são aplicadas multas nas instituições que praticam atos atentatórios aos direitos dos consumidores, bem como vem buscando desenvolver ações educativas que permitam ao consumidor conhecer de antemão os seus direitos, prevenindo estes problemas”, destaca Alexandre Braga.

A economista Edna Souza alerta que empréstimos consignados são considerados por alguns especialistas do setor econômico como um risco para a economia familiar, e as pessoas devem recorrer a eles no último caso.

“Empréstimos são para emergências. Importante frisar que no mercado existem outras formas de transações com juros mais em conta”.