O número de pessoas com dengue em Montes Claros neste ano praticamente triplicou. Segundo o setor de epidemiologia do município, foram registrados, de janeiro até ontem, 585 casos de dengue na cidade, contra 207 em todo o ano passado. E a situação pode ficar ainda mais crítica até o fim do ano se o elevado número de focos na cidade não for controlado.

De acordo com o Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LirAa) divulgado pelo Ministério da Saúde na última quinta-feira, Montes Claros está entre as 44 cidades do Norte de Minas com maior risco de epidemia de dengue.

De acordo com a pesquisa, a cidade está com índice de infestação em 8% – até 1% é considerado satisfatório, entre 1% e 3,9% é estado de alerta e, acima de 4%, risco de surto. Outros 28 municípios da região estão sob a mesma ameaça.

O LirAa é um mapeamento da presença de focos do mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya. É feito em municípios e regiões metropolitanas com mais de 100 mil habitantes ou em cidades com grande fluxo de turistas.

Em dezembro, o Ministério da Saúde divulgou o último levantamento nacional. Naquela data, Montes Claros apresentou infestação de 3,4%, ou seja, os focos com larva do Aedes mais que dobraram na cidade.

Segundo o Centro de Controle de Zoonose (CCZ) de Montes Claros, em abril o órgão fez um levantamento de infestação que resultou em um índice de 7,3%. O coordenador do CCZ, Flamarion Cardoso, explica que o armazenamento de água em tambores é um dos principais causadores da proliferação do mosquito. 

“Uma situação que contribui muito para esses altos índices é o racionamento de água que Montes Claros vem enfrentando. As pessoas têm o costume de armazenar a água em tambores e caixas sem tampa – 57% dos focos do mosquito Aedes aegypti foram encontrados nestes reservatórios”, afirma. 

O coordenador também ressalta que o combate ao mosquito Aedes aegypti deve ser um trabalho em conjunto entre município e população. 

“Continuamos com carro fumacê em locais com maior incidência de pernilongo. O carro também passa em regiões de monitoramento onde há pessoas doentes. Mas não adianta somente o CCZ fazer as ações. É preciso que os moradores fiquem atentos para não acumular lixo e não deixar possíveis locais para focos do mosquito, como plantas, pneus, piscina, tampas de garrafa”.
 
OUTRAS CIDADES
Capitão Enéas aparece no topo do LirAa, com índice de infestação de 13,1%. Em seguida estão os municípios de Francisco Sá (12,4%), Lagoa dos Patos (10,3%), Ibiracatu (10%), Coração de Jesus (9,2%) e Bocaiuva (9%). 

Várzea da Palma e Monte Azul aparecem com taxa de 8,2%.

Apesar de esse ser um momento de seca, o Ministério da Saúde alerta que o trabalho de combate ao mosquito deve persistir para evitar uma explosão de casos da doença assim que o período chuvoso recomeçar.