Se a primeira impressão é a que fica, como diz o ditado popular, quem chega a Montes Claros pela rodoviária atualmente não deve guardar boas lembranças da cidade. Tanto o prédio quanto o entorno do terminal colecionam problemas. Dificuldades de acesso, sujeira e grande número de moradores de rua incomodam montes-clarenses e visitantes. 

Apesar de ser um ponto de grande movimentação de pessoas, circular pelo terminal não é fácil se você estiver carregando malas grandes, for portador de deficiência e ou possuir dificuldade de locomoção. Isso porque o prédio não tem rampas de circulação. No mês passado, uma mulher que carregava uma mala se desequilibrou e caiu das escadas. Teve que ser levada a um hospital. 

O elevador construído pela empresa que administrou a rodoviária de 2012 a 2014, e que resolveria parte do problema, está quebrado e sem previsão de conserto. 

Quem chega ou deixa a cidade pelo terminal também precisa conviver com flanelinhas que cobram para “olhar” os veículos estacionados em área pública ou, pelo menos, que deveria ser. 

A professora Djanira Rodrigues relata que já foi alvo dos cobradores em duas situações e que, hoje, já vai à rodoviária preparada para não ser incomodada. “Na primeira vez, dois homens me abordaram pedindo dinheiro para olhar meu carro. Falei que não tinha e saí. Um deles arremessou um balde contra mim e me xingou. Na outra vez, já sabendo dessa situação, deixei um real separado para pagá-los”. 
 
BRIGAS 
Quem precisa ir ao local à noite também relata problemas. Samuel Cordeiro trabalha como mototaxista há um ano. Diz que já presenciou diversas cenas de violência entre pessoas que ocupam a área próxima ao ponto e nunca viu fiscalização por parte da prefeitura. 

“À noite, o gramado fica cheio de jovens usando drogas e fazendo consumo de álcool. Quando eles já estão ‘doidões’ brigam entre si. Eu, inclusive, já separei algumas brigas. Aqui tem vários tipos de histórias, seria bom pelo menos ter um serviço de assistência social”, ressalta o motoqueiro. 
 
POSIÇÕES 
Sobre o elevador quebrado, o administrador da rodoviária, Luiz André de Brito Barbosa, diz que não há recurso para o reparo. “Não é viável financeiramente mandarmos arrumar o elevador, pois fica caro e a manutenção é alta. Estamos viabilizando a construção de uma rampa de acesso. Enquanto isso não acontece, vamos providenciar um estacionamento especial do lado sul da rodoviária. Assim as pessoas com deficiência poderão passar por lá”, garante. 

O secretário Municipal de Defesa Social, Anderson Chaves, avisado pela reportagem dos problemas de segurança, solicitou o deslocamento de uma equipe da Guarda Municipal. “Vamos reforçar a segurança com a instalação de sistema de monitoramento e também, ainda neste primeiro semestre, a secretaria será remanejada para mais próximo do terminal”, diz o secretário. 

Em nota, a Prefeitura de Montes Claros disse que oferece aos moradores em situação de rua suporte completo, principalmente o recém-inaugurado Centro POP Padre Henrique. A nota ainda afirma que alguns se recusam a receber a ajuda do município, dificultando a ação da secretaria de Desenvolvimento Social. Além disso, a prefeitura esclarece que dispõe de um programa que arca com as despesas de passagem de pessoas carentes que chegam ao município pelo terminal e que queiram retornar à cidade natal.