Apesar da promessa de concluir nesse semestre o Centro de Educação Infantil (Cemei) no Monte Carmelo, a obra, a exemplo da unidade educacional do bairro Vila Real, está abandonada há mais de um ano. Em vez de crianças sendo atendidas para a tranquilidade dos pais, o que se vê é um quadro de saque, depredação e desperdício do dinheiro público.

A construção das duas unidades está orçada em R$ 1.731.660,20 e a Prefeitura de Montes Claros realizou novo processo licitatório para a retomada dos serviços, vencido por uma construtora de Patos de Minas. 

Os recursos para a construção dos Cemeis dos bairros Monte Carmelo e Vila Real, totalizando R$ 3.463.320,40, foram viabilizados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Cada unidade tem capacidade para atender 224 crianças de zero a 5 anos em período integral.

Mas o atraso na entrega deixa a população sem opções. A situação é mais crítica na creche do Vila Real, que deveria ter sido entregue no dia 15 de dezembro de 2017. Sem vigilância, materiais de construção foram roubados e parte do que já havia sido erguido foi depredado. Com isso, várias adequações terão que ser realizadas no prédio.

Na Câmara, vereadores denunciam a situação e cobram a retomada imediata das obras, alegando que centenas de crianças estão na fila de espera.
 
SEM VAGA
As crianças do Vila Real são atendidas em imóvel pequeno no bairro Independência, que não tem condições de acolher toda a demanda. Os filhos de Kely Cristina Silva Ribeiro, de 20 anos, por exemplo, não conseguem vaga na creche do outro bairro. Com isso, ela não pode arrumar um emprego, pois não tem com quem deixar as crianças.

Por várias vezes já cobrou da Prefeitura a conclusão da obra do Cemei Vila Real, mas nunca tem retorno. Ontem mesmo, quando a reportagem chegou à casa dela, Kely estava ao telefone tentando ser atendida por um funcionário do Executivo municipal. Mas desistiu depois de ficar vários minutos só ouvindo musiquinha de espera sendo transferida de um setor para outro.

No mesmo bairro, Liliam Ribeiro Santos, de 31 anos, disse estar revoltada com o abandono da construção. “A placa diz que a obra seria concluída no ano passado e ninguém dá satisfação. Por isso estão invadindo as instalações, carregando tudo, criando um clima de criminalidade que não é bom para ninguém”, lamentou.

No Cemei do Monte Carmelo, que de acordo com a Prefeitura deveria estar em funcionamento, também não há vigilância e o abandono facilita a ação de vândalos. Parte do telhado já foi saqueado.

A manicure Graciely Rodrigues da Cruz, de 33 anos, disse que enquanto a obra está abandonada, tem dificuldade para levar à creche a filha Maria Vitória, de 4 anos, no mesmo horário em que tem que acompanhar a outra filha, Kety Gabriele, de 11, que frequenta escola estadual.

“A conclusão do Cemei seria uma bênção de Deus. Mas acho que a Vitória vai acabar saindo da creche sem ver o novo prédio pronto”. Procurada, a Prefeitura não se manifestou sobre o assunto.