A promessa era a de que o valor do diesel estaria R$ 0,46 mais barato ontem em relação ao preço praticado no dia 21 de maio, antes do início da greve dos caminhoneiros. Mas muitos motoristas ficaram frustrados ao chegarem aos postos de combustível. Nem todos cumpriram a portaria do governo federal que determinou a redução no preço final. 

Em um posto no centro da cidade, o Diesel comum e o S10 que eram vendidos a R$ 4,09 estavam ontem a R$ 3,95 e R$ 3,75, respectivamente. A redução foi de apenas R$ 0,14 e de R$ 0, 34. A explicação de um funcionário é a de que já havia o produto em estoque e que somente a partir das novas compras é que o desconto vai entrar em vigor.

O caminhoneiro autônomo Paulo Henrique Campos trabalha com mudanças e diz que cancelou viagens em razão da paralisação. Para ele, que aderiu ao o movimento, o desconto determinado pelo governo não é o ideal, mas é significativo.

“Todo valor, no montante final, representa muito pra gente. Em uma viagem de R$ 6 mil até Cuiabá (MT) já gastei quase R$ 3 mil só de diesel. Mas ainda não vi em nenhum posto esse desconto”, afirma.

Paulo afirma que a situação ainda está “muito bagunçada” e que fica difícil até cobrar a fiscalização. “Vi nas redes sociais um número disponibilizado pelo Procon, mas ainda não vi nenhum colega fazer denúncia”.

Para o caminhoneiro João Batista, a greve valeu, mas a conquista está longe de corresponder à necessidade dos profissionais. 

“O valor não é justo. O ideal seria um lucro de ao menos 70%. A manutenção do caminhão é cara e tem ainda o pedágio, alimentação e diesel. Tirando as despesas, sobraria 40%. Hoje, em uma viagem, a gente gasta 60% com o combustível, então não sobra nada”, pontua. 

Se em alguns lugares o desconto não aconteceu, em outros, já é lei. No centro da cidade, um posto apresenta logo na entrada o detalhamento dos preços.

Antes da greve, o diesel era vendido a R$ 3,99 e passou a ser vendido a R$ 3,55 ontem. 

O gerente do estabelecimento, Ernesto Ribeiro, diz que o proprietário trabalha rigorosamente dentro da lei e determinou a baixa nos preços imediatamente após a portaria. 

“Recebemos entre 5 mil a 10 mil litros de diesel por semana. Não estávamos vendendo por causa da paralisação, então o que tinha em estoque está saindo agora. Mesmo assim, baixamos os preços”. 
 
FISCALIZAÇÃO
O diretor do Procon Municipal, Alexandre Braga, destaca que participou de reunião com o Minaspetro ontem para definir os trâmites da fiscalização.

“A situação do mercado é bem complexa. A alegação dos donos de postos é que eles não conseguem repassar imediatamente o desconto de R$ 0,46 se estão recebendo da distribuidora um desconto de R$ 0,40, por exemplo. Vamos tratar caso a caso, mas a postura do Procon é aplicar a portaria e resgatar o direito do consumidor”, ressalta.

De acordo com Alexandre, os postos já estão sendo visitados pela equipe e se no preço repassado ao consumidor houver diferença do que foi pago à distribuidora, o órgão vai multar o estabelecimento. 

O Ministério Público informou que está agendada para esta tarde uma reunião com os representantes de postos para direcionar a atuação do órgão. Só a partir daí terá um posicionamento definido. 

O diretor do Minaspetro estava em reunião e até o fechamento da edição não foi encontrado para falar sobre o assunto.