O grupo montes-clarense Filhas de Frida recebeu segunda-feira, na Câmara Federal, em Brasília, o 8° Prêmio Neide Castanha, uma das maiores honrarias do país em reconhecimento a pessoas, grupos ou entidades que lutam pelo enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. 

Filhas de Frida foi criado há quase três anos pela estudante do curso de ciências sociais Eduarda Rodrigues de Almeida Porcino. Tem mais de 250 mil seguidores de vários países no Instagram. O movimento também leva o debate para escolas públicas e privadas e faculdades, sempre ressaltando importância da denúncia em qualquer ato de assédio ou abuso.

“Montes Claros ainda é uma cidade muito coronelista, onde existem poucas intervenções e políticas públicas para o combate à violência contra mulher. Temos uma delegacia de eficiência, mas o principal que deve ser questionado e debatido é o conservadorismo da população que perpetua e incentiva direta e indiretamente condutas machistas”, diz Eduarda. 

Ela explica que criou o movimento coletivo quando ainda cursava o ensino médio, aos 17 anos. “Percebi a necessidade de fazer algo pelas mulheres, principalmente porque várias garotas que eu conhecia sofriam violência psicológica e moral, principalmente por meio da internet”. 

O prêmio homenageia Neide Castanha, nascida em Januária, que era assistente social e se tornou um dos símbolos na luta contra a violência física e sexual às crianças e adolescentes no Brasil.