A situação da represa de Juramento, responsável pelo abastecimento de 65% de Montes Claros, está pior do que a registrada em 2017, ano em que a cidade enfrentou grave crise hídrica. A informação é do superintendente de Meio Ambiente da Copasa, Nelson Guimarães. A empresa iniciou ontem os trabalhos de indução de chuva na bacia, com o uso de uma aeronave, para tentar acelerar a recuperação do volume de água da represa.  

“Nessa mesma época, em 2017, o reservatório estava com 34% de sua capacidade e hoje encontra com apenas com 22%, então a situação é mais grave. Por isso é importante que toda população continue com o comprometimento de utilizar a água de maneira racional e consciente”, destaca Nelson.
 
TÉCNICA 
A estatal contratou uma empresa de São Paulo para tentar aumentar o índice de chuvas na região, a um custo de R$ 1,29 milhão. Para realização do procedimento foram instalados na região equipamentos para monitorar o deslocamento de nuvens na área da barragem. Após a identificação de formações carregadas, uma aeronave bimotor decola do aeroporto de Montes Claros, a 30 km do reservatório, com tanque de 250 litros de água potável.  

Ainda de acordo com a Copasa a tecnologia consiste no lançamento de gotículas de tamanho controlado, a partir do um avião, no interior de nuvens do tipo cumulus. A intenção é fazer com que essas gotículas lançadas no interior da nuvem ganhem volume após fusão com as gotículas já presentes na mesma nuvem, resultado do processo natural de evaporação, até formarem gotas de chuva. 

Quem esteve ontem na represa já pôde acompanhar a aeronave em ação. A expectativa é que, em cada dia que a técnica é utilizada, chova cerca de 20 milímetros. 
 
PERÍODO CERTO 
O superintendente de Meio Ambiente Nelson Guimarães diz que a quantidade de precipitação depende das condições atmosféricas e do tamanho da nuvem semeada e explica o porquê da medida não ter sido adota antes. “Essa iniciativa tem que acontecer em período chuvoso, porque é preciso existir a nuvem de chuva para que ela possa ser semeada para que assim possa possibilitar que essa chuva caia no lugar de interesse, que no nosso caso é a bacia hidrográfica do reservatório de Juramento. Ou seja, vamos buscar acelerar o processo de recuperação do reservatório”, explica o superintendente. 

A Copasa garante que a tecnologia empregada não faz uso de nenhum tipo de aglutinante químico e que o processo é inteiramente físico, como ocorre no desenvolvimento natural da nuvem.
(Colaborou Vitor Costa, sob a supervisão do editor)