A polícia investiga dois casos de sequestro-relâmpago registrados em Montes Claros em dezembro. Os crimes, com características semelhantes, tiveram início no mesmo local, na Avenida das Américas, no bairro João Alves. Ninguém foi preso. 

Os episódios vão na contramão da queda da violência na cidade. Entre janeiro e outubro de 2017, houve redução de 22,5% no registro de crimes violentos em relação ao mesmo período de 2016, segundo o Governo de Minas. 

A universitária Rafaela Amorim e o namorado dela foram um dos alvos dos bandidos. O casal voltava de uma lanchonete no bairro São Judas, de carro, quando foi surpreendido por três homens em duas motocicletas.

A abordagem, violenta, foi no cruzamento das avenidas das Américas e dos Militares. “Apontaram uma lanterna com a luz muito forte em nossa direção e, na hora, pensamos que eram policiais. Foi aí que abaixei o vidro e anunciaram o assalto”, recorda a universitária. 

Um dos assaltantes apontou a arma para a cabeça de Rafaela e mandou que o casal o seguisse. Os namorados obedeceram até receber ordem para parar, próximo ao Samu, no bairro Santo Antônio. O local era deserto e cercado de mato. Ainda sob ameaça, o casal entregou joias que usava, celulares e alianças. “Eles pediram a carteira, mas não tínhamos levado. Um deles deu coronhadas no meu namorado. Depois, nos mandou descer. Também levaram o carro”, conta. 

“Passou tudo na minha cabeça, pensei que eles fossem me estuprar e depois matar a mim e a meu namorado. Foi uma noite de terror”, desabafa a estudante. 

Rafaela e o namorado foram socorridos por um policial militar que voltava do trabalho. O carro foi achado, abandonado, a 200 metros do local do roubo. A suspeita é a de que os homens estivessem interessados nas rodas do veículo, mas como não tinham as ferramentas necessárias para retirá-las, acabaram deixando-as para trás. 
 
OUTRO CASO
Um homem foi abordado no mesmo local. Só que, neste caso, a vítima foi ordenada a ficar no banco do passageiro e um dos suspeitos assumiu a direção do veículo. O carro não foi localizado. 

Casos de sequestro-relâmpago não são comuns na cidade. De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública, o último caso de extorsão mediante sequestro em Montes Claros foi em abril de 2015. 

A Polícia Militar alerta que, durante um sequestro-relâmpago, assim como em qualquer caso de assalto, a vítima não deve reagir, e é importante prestar atenção em detalhes que possam permitir a posterior identificação dos suspeitos.