Era para ser um espaço repleto de pessoas indo e vindo, comprando produtos típicos da região, gerando renda para várias famílias e movimentando a economia e a cultura locais. No entanto, a área que abriga o Mercado Sul, na rua Melo Viana, no bairro Morrinhos, está às moscas.

Completamente abandonado pela Prefeitura de Montes Claros, o empreendimento, inaugurado em 1970, é o retrato do descaso da gestão municipal, que sequer tem conhecimento da existência de uma verba de R$ 192 mil, oriunda de emenda impositiva, destinada à revitalização da área comercial.

O Mercado Sul deveria atender a bairros com população estimada em mais de 160 mil pessoas. Das 33 lojas existentes, apenas nove funcionam, de forma precária. E o espaço está em péssimo estado de conservação, principalmente os banheiros, que são usados de forma inadequada por moradores de rua que ocupam as vias próximas.

O mau cheiro é intolerável, espantando os clientes e desafiando a Vigilância Sanitária, pois três lojas do prédio público são ocupadas pela Secretaria Municipal de Saúde.

Seu Zacarias Ferreira de Brito, de 79 anos, é um dos “sobreviventes”. Ele mantém bancas no Mercado Sul desde 1973, de onde sempre tirou o sustento para criar “os 20 filhos e netos, que eu não sei nem a quantidade”.

Morador do bairro Morrinhos há 50 anos, próximo ao mercado, ele revelou o segredo para não fechar as portas. “Depois que o mercado acabou desse jeito, ficou assim, o movimento não tem melhora. Então, eu vendo de tudo: verdura, cerveja, cachaça, rapadura, tomate, cebola, farinha, móveis usados, geladeiras. Esse é o meu comércio, tudo misturado”. 
 
RECURSO
Apesar da importância histórica do mercado, que também fica próximo à Igreja do Senhor do Bonfim, um dos cartões-postais da cidade, o vereador Marlon Xavier (PTC), autor da emenda impositiva que destina R$ 192 mil para a recuperação do espaço, não acredita que o prefeito Humberto Souto irá empenhar o recurso na reforma do imóvel. Isso tem que ser feito até o fim do ano, segundo a legislação.

“A situação é precaríssima, o mercado praticamente acabou”, lamenta o parlamentar. Segundo ele, a ideia é, após a reforma, tentar montar uma feira no Mercado Sul nos moldes das realizadas nos bairros Major Prates e São José, com alimentos orgânicos.

O titular da Secretaria Municipal de Agricultura, Osmane Barbosa Neto, informou que sequer tinha conhecimento da emenda impositiva. “Estou sabendo agora”, revelou ele, que também é produtor rural. O gestor da pasta disse que vai procurar o vereador para tentar agilizar a reforma.

Independentemente desse recurso oriundo do Legislativo, Osmane garantiu que a reforma será feita. “Vamos arrumar tudo, dar uma mexida. Não vai ficar 100%, mas em condições de funcionar”.

O secretário ressaltou que, em reunião com moradores e feirantes ficou definido que, aos sábados, deve ocorrer feira livre no local. Ele ponderou que parte das lojas fechadas é de propriedade de particulares, com três cedidas à Secretaria de Saúde e uma ao escritório regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).