Feirantes e lojistas do Mercado Sul de Montes Claros pedem intervenção urgente do poder público para salvar um dos locais mais tradicionais da cidade. Construído em 1970, o espaço viu o movimento despencar nos últimos anos e, hoje, tem mais lojas fechadas do que bancas. Os comerciantes pedem uma revitalização do local para voltar atrair clientes.

Para Pedro Ferreira, estabelecido no local há oito anos, o prédio precisa de adaptações básicas. “O que a gente quer é que tirem as sucatas e façam bancas de alvenaria. Não dá para colocar alimentos para vender num lugar deste. Aqui é um depósito de insetos, o teto está danificado e quando chove molha mais do lado de dentro do que de fora”, reclama.

Ele conta que, quando a porta principal quebrou, os comerciantes se uniram e fizeram “vaquinha” para realizar o conserto. “O Mercado Sul é como um filho rejeitado”, resume, indignado.

Roque Paulo é proprietário de uma banca e entende que a sujeira no local afasta o público. “Temos uma frequência constante, mas que poderia ser bem maior se os fregueses não ficassem tão assustados com a falta de higiene. Se o mercado tivesse outra cara, iriam valorizar mais o nosso serviço”.

A subutilização do espaço é outra reclamação dos comerciantes. A área que pertence ao município deveria estar preenchida com diversas bancas, mas está abandonada e as poucas bancas não oferecem variedade de produtos. “Estamos aqui pertinho, mas minha mãe prefere ir ao Mercado Central, do outro lado da cidade, porque aqui não tem quase nada e o que tem é caro”, diz Shirley Rocha, moradora da região.
 
DEBATE
Tentando encontrar uma solução, o vereador Wílton Dias realizou ontem audiência pública na Câmara Municipal, sem, no entanto, chegar a um consenso. “O Mercado é um cartão-postal da cidade e hoje o poder público está ausente. O prédio está ocioso e precisa de uma solução urgente. Basta o Executivo querer destinar aquilo para o bem”, sugeriu Wilton.

O secretário de Agricultura, Osmani Barbosa, disse que o prédio é 50% da prefeitura e 50% da iniciativa privada, o que complica a revitalização. Ele afirmou ainda que o município está procurando parcerias para cuidar do espaço e que estuda a possibilidade de levar mais órgãos para o local, a exemplo do que fez com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que ocupa três salas do prédio.