A Câmara Municipal e lideranças comunitárias cobram a construção de um cemitério para famílias carentes em Montes Claros. Os vereadores já aprovaram, por unanimidade, o requerimento nº 6/2008, de autoria de Valdecy Fagundes de Oliveira, que faz o pedido de novo cemitério e também da expansão dos campos santos nos distritos. O argumento do parlamentar se baseia na dificuldade de as pessoas conseguirem a titularidade dos jazigos, “mesmo amparadas pela lei”. 

Na atualidade, os cemitérios do Bonfim e Parque dos Montes estão lotados e os sepultamentos, que variam de R$ 3 mil a R$ 15 mil, são agora realizados na comunidade de Facela, a 10 quilômetros do Centro da cidade.

A situação é tão constrangedora que, para evitar o pagamento de taxas e dos altos custos dos sepultamentos, a população dos bairros mais pobres enterra com frequência os mortos na comunidade rural de Miralta, distante oito quilômetros da sede do município. “Solução” que está com os dias contados: há apenas 16 vagas. Só em fevereiro foram feitos no local três sepultamentos de moradores de Montes Claros.

O ex-policial militar Mário Ribeiro, presidente do Conselho Gestor de Saúde da Conferência Cidade Cristo Rei, conhecida como Feijão Semeado, faz campanha junto ao Legislativo, ao Ministério Público e à Prefeitura de Montes Claros no sentido de agilizar a construção de um novo cemitério para pessoas carentes na Estrada da Produção, próximo ao antigo cemitério Toledo, distante seis quilômetros do Centro. A área, de 50 mil metros quadrados, pertencente à família de Antônio Lima, foi desapropriada há 10 anos pela prefeitura e está murada.

A construção tem o apoio do empresário e ambientalista Américo Martins Filho, que se propõe a ceder gratuitamente a área necessária para a obra de uma avenida que daria acesso ao local. Lembra que a prefeitura chegou a contatá-lo no sentido de adquirir área de 8 mil metros quadrados que comporia a entrada do cemitério. Ele se prontifica a facilitar a aquisição do seu terreno pelo município, quer seja vendendo por preço mais em conta ou mesmo permutando por impostos, como o IPTU.

A prefeitura foi procurada para se posicionar sobre o assunto, mas não deu retorno à reportagem.