Desde maio, montes-clarenses portadores do HIV não têm como fazer exames necessários para medir a carga viral, o que pode comprometer a saúde deles. Os “kits” para averiguação, distribuídos gratuitamente pelo Ministério da Saúde, não chegaram até os pacientes. Na cidade, pelo menos 400 pessoas estão prejudicadas. 

O Centro de Ambulatório de Especialidades Médicas Tancredo Neves (Caetan) é o setor responsável por entregar medicamentos aos portadores de HIV no município. A coordenadora do centro, Maria Salete, pontua que os pacientes estão apreensivos.

“Os pacientes com CD4 (moléculas expressas) muito baixas e carga viral alta, assim como as gestantes, não estão fazendo os exames, que normalmente devem ser repetidos a cada seis meses. Realmente estão bastante preocupados”, diz. 

Médica infectologista e referência no tratamento de HIV no Norte de Minas, Cláudia Biscotto ressalta que os exames de mensuração da carga viral na corrente sanguínea são essenciais no controle de tratamento dos pacientes soropositivos em uso de antirretroviral (terapia para tratamento e tentativa de eliminação do retrovírus). 

“Esse exame mostra a eficácia e aponta para uma provável falha do tratamento quando do aparecimento de mutações de resistência induzidas pelas drogas anti-retrovirais. O exame também é essencial para a realização do parto das gestantes portadoras do HIV”, explica.

Ainda de acordo com a especialista, a ausência do exame na frequência recomendada compromete os resultados do tratamento, uma vez que uma eventual falha terapêutica pode vir a ser evidenciada tardiamente, dificultando o controle posterior da viremia (carga de vírus no sangue).
 
APELO
Portadora do vírus HIV, Lúcia de Fátima Moreira procurou até a Câmara de Vereadores na tentativa de conseguir o kit. Ela não descuida da saúde e sempre faz o exame de controle.

“Isso é o básico que nos deveria ser oferecido. Uma pessoa com HIV pode ter uma vida comum se fizer o tratamento corretamente”, conta. 

Segundo a Superintendência Regional de Saúde, o Estado tem os kits para distribuir, contudo, é necessário que o município faça a solicitação da quantidade usada em cada ponto de distribuição. 

Já a Secretaria Municipal de Saúde alegou que em junho Montes Claros recebeu uma nota técnica enviada pela Coordenação Estadual informando que faltava a aquisição dos testes de carga viral do HIV, liberados pelo Ministério da Saúde, e que a normalização estaria prevista para o mês seguinte. 

Ainda de acordo com a pasta, o laboratório municipal estava constantemente em contato com a Fundação Ezequiel Dias (Funed) para cobrar a regularização, mas somente na última terça-feira (5 de setembro) foi recebido o e-mail do Laboratório de Carga Viral da Funed comunicando que a distribuição do material para os exames de Carga Viral de HIV/AIDS será normalizada nos próximos dias.