Mário Ribeiro, líderança da Conferência Cidade Cristo Reis, chama a atenção para o fato de a prefeitura não informar às pessoas sobre a existência de lei que garante, “mesmo no cemitério novo, a gratuidade para as pessoas carentes”. 

Segundo ele, ao adotar essa postura, a prefeitura “comete crime contra os sentimentos dos mortos, por deixar as famílias constrangidas, mesmo sabendo que é de direito de todos o auxílio-funeral, que não sai dos seus cofres, e, sim, é repassado por ela com verba oriunda da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social”. 

Enquanto o poder público municipal não dá uma resposta na velocidade reclamada pelos problemas causados pelas altas taxas de sepultamento, as famílias carentes conseguem junto ao Judiciário, além da taxa de isenção, um salário mínimo para assisti-las. Esse é o caso da doméstica Doralise Ferreira Santos, de 51 anos, moradora do Feijão Semeado, que recebeu no ano passado um salário mínimo de auxílio-funeral após a morte de seu filho Clebert Ferreira.

Doralise diz que “o auxílio chegou em boa hora, mas não foi o bastante”. Justifica que o sepultamento custou R$ 3 mil e que o restante do dinheiro foi conseguido com empréstimo, dividido em seis parcelas. “Infelizmente temos que pagar até para morrer e essa é uma dor que não se mede”.