O índice de mulheres em cargos de CEOs e de diretorias executivas no Brasil chegou a 16% em 2017, de acordo com a pesquisa International Business Report (IBR) – Women in Business, da Grant Thornton, realizada em 36 países. Em cargos de gerência e liderança o número sobe para 19%. Em 2016, este índice era de apenas 11% e em 2015, só 5%. Apesar da pouca representatividade, o mercado tem aberto as portas para as executivas de grande potencial. 

Em Montes Claros, um dos nomes mais lembrados é o de Mariela Baptista, sócia e diretora administrativa da Cervantes distribuidora de bebidas. “Caminho bem por todas as áreas, logística, financeira e comercial”, diz a empresária, que confessa ter esbarrado apenas no próprio preconceito.

“Antes de entrar para a empresa acreditei por um tempo que o negócio de distribuição de cervejas fosse apenas para homem. Completamente errada. O mundo dos negócios é para todo aquele que se propõe a trabalhar com respeito e competência”, avalia.

Mariela integra a diretoria da Associação Comercial e Industrial de Montes Claros. “A chave de sucesso? Ter ética e investir nas pessoas”.  

Maria Luiza Assunção Pimenta é presidente do conselho administrativo da Somai Nordeste. Belo-horizontina que veio para Montes Claros conhecer a empresa, cuja família é acionista, aqui permaneceu. Começou como integrante do conselho de administração e galgou novos espaços.

“Em pouco tempo cresci na empresa e cheguei a CEO. No ano passado, deixei o cargo e fui para o conselho, porque a quantidade de viagens que eu fazia acabou me cansando. Mas o maior desafio foi deixar o meu filho, a minha família, em BH”.

Para ela, que afirma não ter sofrido preconceito por parte dos colegas e funcionários, nem dificuldade para ter pessoas do sexo masculino sob seu comando, a grande barreira a ser vencida pelas mulheres é a remuneração. “Mesmo sendo acionista, outros diretores, homens, ganhavam mais que eu.”

A advogada Ellen Fraporti Mocellin Alves, de 34 anos, casada e mãe de três filhas, atua em uma das empresas do grupo familiar do ramo de gastronomia, além de ter sob sua responsabilidade um time de futebol. No restaurante, lida com 20 funcionários, maioria homens. “Percebo que, entre eles, não existe preconceito, mas com clientes já passei por situações constrangedoras. Em uma delas, um insistia em falar com ‘o dono’. E no futebrol? “Nunca tive problemas”, garante.