O grande número de cavalos soltos pelas ruas em vários bairros da cidade vem incomodando os moradores. Segundo a Secretaria de Serviços Urbanos, em média, cinco animais de grande porte são capturados por dia em perímetro urbano. Muitos são reincidentes.

O professor Frederico Queiroz mora no bairro Ibituruna e acredita que a fiscalização falha no controle do número de carroceiros em atuação na cidade, o que acaba “permitindo” o descarte inadequado do animal quando não é mais capaz de prestar serviço. “Aqui mesmo, por ser um bairro mais afastado, com frequência encontramos cavalos soltos. Outras vezes, os próprios carroceiros deixam o animal para pastar devido ao número significativo de lotes vagos”, conta Frederico.

Outro bairro que tem enfrentado problemas com equinos e bovinos soltos é o Morada do Sol, como conta a empresária Flávia Santiago. “Os carroceiros jogam o entulho nos lotes vagos e deixam o cavalo sozinho em busca de alimento. Quando o animal fica em idade avançada, é simplesmente descartado aqui no bairro. À noite, a situação piora. Às vezes você está em casa assistindo televisão e ouve eles correndo na rua. Parece que moro em uma área rural”, desabafa Flávia. 
 
MEDO 
Alguns moradores revelam receio de denunciar a situação. Uma auxiliar de serviços gerais, moradora do Bairro Industrial, que preferiu não ser identificada, contou que vizinhos já foram ameaçados por carroceiros.

“Uma vizinha encontrou um cavalo entrando na porta da sala. Eu cheguei a tirar fotos dos animais andando sozinhos na rua, mas apaguei porque fiquei com medo. Alguns moradores foram ameaçados caso ligassem para a prefeitura. Por aqui ser um bairro muito afastado, eles agem como bem querem e nós não podemos reclamar”, desabafa a moradora. 
 
CADASTRO 
Dados da Secretaria de Serviços Urbanos de Montes Claros mostram que o município possuía até o último levantamento, feito no início de 2017, cerca de 300 carroceiros regularizados e registrados no município. Mas a estimativa é a de que existam pelo menos 1.300 carroceiros espalhados pela cidade. 

Um deles é Arnaldo Lopes, morador da Vila Oliveira. Ele admite que muitos colegas não cuidam dos animais, mas pede para não haver generalizações. “No meu caso, eu cuido muito bem do meu animal. Afinal é dele que levo o sustento para casa. Mas não é difícil constatar colegas que maltratam o seus cavalos, alguns deixam eles soltos para procura comida. É uma questão de bom senso, eu estou com a minha consciência tranquila” diz Arnaldo. 

O proprietário que tiver o animal apreendido e quiser reavê-lo deve pagar uma taxa, além da diária. Os valores não foram informados pela pasta responsável.