Moradores da região sul de Montes Claros estão apreensivos e assustados com a presença de barbeiros, insetos que transmitem a Doença de Chagas. No Hospital Universitário Clemente de Faria, foram registrados dez casos da doença em 2016. Este ano, até agora, já foram oito.

Os bairros com maior incidência de registros foram Ibituruna, Jardim Liberdade, Morada do Sol e Sapucaia. De acordo com o coordenador do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Montes Claros, Luís Osmane Borges, neste ano houve pelo menos 30 registros de aparecimento do inseto. 

Depois de recolhidos, os barbeiros são encaminhados para uma análise que vai mostrar se eles estão contaminados pelo Trypanosoma cruzi, o parasita que causa a doença.

“Não existem dados concretos porque o Programa de Controle da Doença de Chagas (PCDCh) não aceita cadastrar números de residências na área urbana, mas podemos afirmar que o total de propriedades inspecionadas cresceu em 2017”, afirma Borges. 

A casa do aposentado José Pires fica no bairro Morada do Sol e já foi pulverizada com inseticida devido à presença do barbeiro.

“Encontrei no quintal. Como morei muitos anos na zona rural, já conheço o bicho. Sei que devemos manter o local sempre limpo para evitar que o inseto volte a aparecer, porque ele gosta de lugares escuros, sujos e com frestas para se esconder, mas o bairro tem vários lotes vagos e aí fica complicado”, diz. 

DOENÇA
A Doença de Chagas foi descoberta em 1909. Diferentemente do que acontecia no passado, hoje a contaminação se dá principalmente por meio da ingestão de alimentos contaminados por fezes do barbeiro, e não pela picada do inseto, o vetor do parasita. 

Os principais sintomas são febre, irritação na pele, dores no corpo, náusea, diarreia e vômito. Sem tratamento, a doença pode evoluir para a fase crônica, com constipação e batimentos cardíacos irregulares. 

O médico Thiago Pereira explica que a doença pode levar até 30 anos para se manifestar. 

“Os barbeiros têm no intestino um protozoário que é eliminado junto com as fezes e que, em contato com a pele, pode contaminar o homem. Então o parasita pode se alojar em órgãos como coração, intestino e esôfago, o que pode provocar várias lesões no ser humano”, destaca.