A falta de pavimentação em algumas ruas causa transtornos e gera reclamações da população que convive diariamente com esta situação. Nos bairros que formam a região do Independência, alguns moradores já pensaram até em se mudar.

A rua Estados Unidos, por exemplo, estava alagada até ontem e havia chovido forte em Montes Claros cinco dias antes, na segunda-feira. A dona de casa Ana Lúcia Amaral relata que os impostos continuam chegando, mas as melhorias no bairro não estão sendo feitas. 

“Entra água na maioria das casas quando chove e a rua fica alagada vários dias. Isso não é algo novo aqui”, diz. Ela já reclamou na prefeitura e nada de solução. 

“Até hoje não obtivemos respostas. A Taxa de Lixo e o IPTU já foram pagos, ao todo R$ 180, e estamos com uma rua nestas condições. É só andar pelo bairro e ver que muitas casas estão com placa de vende-se”. 

Para tentar diminuir as crateras, moradores da rua Canadá jogaram terra com brita como forma de melhorar a locomoção e facilitar os serviços de entregas. “Fizemos tudo do nosso bolso. Cada um pagou até R$ 200 ou como podia na época. Fico indignado porque ninguém vem até aqui para saber como estamos e se podemos também contribuir. O fato de estarmos em um bairro distante faz com que a prefeitura esqueça que também fazemos parte da cidade”, desabafa José Mendes.
 
TRÂNSITO 
Já no bairro Vila Real, que também faz parte da região, em algumas ruas os motociclistas apenas conseguem trafegar pelas calçadas ou então usar rotas alternativas, como conta o mototaxista Robson Ramos. 

“Há ruas em que, à noite, rodar por elas é muito perigoso por causa dos buracos. Os moradores vão tampando como podem, mas quando chove ficam irreconhecíveis”, descreve Robson. 

A situação se repete no bairro Acácias. Segundo a balconista Tatiana Santos, caso as ruas fossem asfaltadas e estivessem com toda a infraestrutura a região seria mais próspera. 

“Hoje tenho que limpar a padaria mais de 12 vezes por dia. Há muita poeira e, como trabalho com alimentos, não tem como deixar para depois. A falta de asfalto impede que mais pessoas invistam na região e isso deixa a gente até um pouco insegura porque estou sozinha em uma rua cheia de mato com poucas casas”, diz Tatiana.
 
SEM ÔNIBUS 
De acordo com a aposentada Maria da Conceição, até o transporte coletivo é motivo de descontentamento por parte da população. Ela mora no Nova Suíça e caminha até o Independência, onde afirma que a oferta de condução é maior. 

“Aqui no Nova Suíça são apenas duas linhas, então, dependendo do horário, tenho que ir até a avenida principal porque lá tem ônibus toda hora. Caminho cerca de 20 minutos na poeira até pegar o ônibus”.


Problemas também na saúde
A região do Independência cresceu nos últimos anos, porém a infraestrutura não acompanhou o desenvolvimento, garantem os moradores. Uma das reivindicações é a melhoria do atendimento à saúde. Segundo eles, o serviço oferecido é insuficiente para abranger todos os bairros. 

A dona de casa Fia Vidal reside no bairro Nova Suíça e relata que tem de caminhar 40 minutos até o posto de saúde do Independência para conseguir atendimento para os filhos.

“A minha situação é bem difícil porque tenho uma criança especial. O Independência já é um bairro grande, com a criação de novos bairros o posto ficou saturado”, completa. 
 
MARTÍRIO 
De acordo com Gláucia Nunes, a concorrida vaga por atendimento deixa a população estressada. Causa brigas entre os moradores e os profissionais da saúde. “Dizem que os médicos evitam atender aqui. O pessoal briga demais, às vezes tem vaga para consultar, outras vezes, não. São poucas fichas. O pediatra, por exemplo, atende em média sete pessoas por dia”.

A estudante Carla Silva destacou que as farmácias responsáveis por fornecer medicamento foram fechadas. Os moradores têm que sair em busca de remédios em outros lugares da cidade. 

“No início do bairro tem um posto de saúde, onde a farmácia está fechada. Faz tanto tempo sem as duas farmácias que não consigo lembrar a data que deixaram de atender a população”, conta. 

Procurada, a Prefeitura de Montes Claros não se pronunciou sobre a situação da infraestrutura dos bairros da região do Independência nem em relação ao atendimento na área da saúde.