Moradores do Bairro Alterosa foram surpreendidos com a transferência do atendimento na unidade de saúde da região para o bairro Maracanã, distante cerca de 3km. Para eles, além da distância a percorrer, a falta de estrutura do espaço para abrigar mais equipes vai piorar o serviço, que já não era considerado satisfatório no “novo” endereço. 

O mínimo de pessoas cadastradas para serem atendidas pela equipe Estratégia de Saúde da Família (ESF) naquela unidade é de 2.400 pessoas, e o máximo, 4.500. O Alterosa já estaria com 2.800 cadastrados. 

Quanto às consultas, a meta determinada pelo Ministério de Saúde é de 300 consultas médicas, 80 atendimentos de enfermeiros, 600 visitas domiciliares e 60 de técnicos de enfermagem por mês.

A dona de casa Maria dos Passos, que mora numa casa ao lado do posto, lamentou o fechamento. “Sou hipertensa e procuro o ESF para várias situações. Foi muito ruim o que aconteceu. Merecemos ter a unidade aqui funcionando”.

O morador J.C., que pediu para não ser identificado, vai frequentemente ao posto fazer consulta e renovar receita para ele e para a mãe. “Mesmo funcionando mal, prefiro que o atendimento seja aqui. A mudança ficou ruim pra gente”, desabafa.

O comerciário Hélio Amaro tem um irmão com problemas mentais que necessita tomar injeção duas vezes ao mês. Ele questiona a atitude da prefeitura, que teria feito a mudança sem comunicar à comunidade. “Porque fechou? Qual a razão? Não nos deram nenhuma justificativa. Agora vamos ter que pegar ônibus para ir ao outro posto, que fica a 20 minutos daqui”. 

Para uma outra moradora, que também pediu para não ser identificada, a mudança poderá ser positiva se o atendimento melhorar. “Tomara que lá eles possam nos atender melhor, porque aqui não funciona direito. Os médicos tiram férias e não fica ninguém para substituir. Também não temos atendimento odontológico”. 
 
SEM RESPOSTA
O NORTE procurou a Secretaria de Saúde para falar sobre o assunto, mas até o fechamento da edição não recebeu retorno. 

A pedido dos moradores do Alterosa, o vereador Idelfonso Araújo está procurando imóveis no bairro que poderiam servir para a instalação temporária da unidade. De acordo com o parlamentar, o motivo da mudança teria sido o vencimento do contrato do imóvel e a recusa da prefeitura em pagar o valor pedido pela proprietária. “Vamos tentar sensibilizar o prefeito para que o atendimento não fique prejudicado. A saúde da família tem que estar próxima dos moradores e não o contrário”, pontuou.