A abertura de um espaço para atender os moradores em situação de rua pela prefeitura não está sendo suficiente para minimizar o quadro que preocupa boa parte da cidade. A avaliação é de pessoas que trabalham com esse público e também da população em geral, que circula pelas praças e ruas da cidade diariamente, e vê muitas pessoas transformando espaços públicos em moradia. 

Não há números oficiais, mas algumas associações que atuam na área acreditam que há atualmente cerca de 400 pessoas vivendo nas ruas do município. Para atender esse público, o Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) foram inaugurados no ultimo mês de dezembro. 

De acordo com Greisson dos Reis, coordenador do Centro Pop, apenas 40% da população que era atendida na antiga sede, no bairro de Lourdes, permanecerá tendo acesso ao serviço. “A nova sede tem capacidade para atender por dia até 35 pessoas em situação de rua, onde terão até quatro refeições e atendimento psicológico”, esclarece. O Centro Pop funciona de 7h às 18h.

Jean Souza é membro voluntário de uma organização entre amigos que atua em conjunto com a Pastoral do Povo de Rua e cobra um investimento público maior. 

“Uma das demandas dessa população é um local para passar a noite. Precisamos de mais abrigos espalhados pela cidade. Ter apenas um local determinado não soluciona o problema”, diz Jean. 
 
CONSTRANGIMENTO
Enquanto a questão não tem uma solução definitiva, quem passa pelo Centro fica incomodado com a ocupação dos espaços públicos, como a diarista Marilene Silveira. “Já vi uma mulher fazer as suas necessidades em frente ao Shopping Popular. Era bem cedo e as lojas ainda estavam abrindo”, conta. 

O lavrador José Izidório da Silva lamenta situação e também pede providências. “Tem que criar mais abrigos. Eles não podem ficar assim”, lamenta. 

Para a coordenadora de Desenvolvimento Social da prefeitura, Patricia Jabbur, o maior problema enfrentado hoje pelo município é a resistência por parte da própria população em situação de rua, que não compreende e/ou aceita o serviço oferecido. 

“Essa população tem resistência em sair do local público para ir ao Centro Pop e ao Creas porque são locais que possuem regras, onde eles não podem utilizar drogas, nem bebidas alcoólicas”, afirma a gestora.