Donos da Fazenda Nova América, em Capitão Enéas, denunciam que animais da propriedade foram maltratados por integrantes do Movimento Frente Nacional de Luta (FNL), que ocupam a área desde a semana passada. O movimento nega as agressões. 

Segundo a administradora da Fazenda Nova América, Andrea Beatriz, após a propriedade ser invadida por cerca de 100 integrantes do FNL, donos e funcionários foram forçados a deixar o local sem levar nem mesmo documentos pessoais. Agora, uma semana depois, o movimento teria autorizado os donos a buscar somente parte do rebanho. Cerca de 470 animais, entre bois e cavalos, foram trazidos para Montes Claros, alguns bastante machucados, de acordo com os empregados da propriedade. 

Uma égua teria levado um tiro no olho e está no Hospital Veterinário Renato Andrade. Algumas vacas tiveram mastite, pois o leite não foi tirado, e outros cavalos também teriam sido feridos nas patas. 

“Eles (invasores) estão na sede da fazenda, dormindo nas nossas camas. Nem minhas roupas e documentos eu tive o direito de buscar. E não sou só eu. Nossos funcionários que também têm casa na fazenda foram desabrigados e agora estão nas casas de família”, conta.

Segundo Andrea, a invasão aconteceu de forma agressiva. Os integrantes do movimento teriam rendido e agredido os funcionários com coronhadas, tapas e golpes de facão. Três dias depois da ocupação, a gerente conta que voltou às terras e garante ter sido recebida à bala. “Vivi momentos de horror no ato da invasão. Eles me amarraram. Recebi tapas no rosto e na orelha. Também puxaram meu cabelo. Depois consegui fugir e corri cerca de 5km até o vizinho mais próximo. De lá pedi socorro”, relata a administradora. 

A Polícia Civil está investigando o caso como tentativa de homicídio, mas ainda não houve conclusão do inquérito. Os proprietários da Fazenda Nova América entraram na Justiça com ação de reintegração de posse. Também registraram queixa de agressão, tentativa de homicídio e invasão de domicílio. 

POSIÇÃO 
O dirigente estadual da FNL, Tiago Coimbra, nega as acusações de violência e de agressões aos animais por parte dos integrantes do movimento.

“Nossa ocupação foi de forma pacífica e ordeira, pois nossa principal regra é não incitar a violência. Temos muitas famílias acampadas. Não iríamos arriscar a vida das crianças. Essa terra está improdutiva. Nosso intuito é produzir alimentos livres de agrotóxico. Também comunicamos aos grileiros para que possam desocupar e retirar os pertences do local”, pontua Tiago. 
 
DESTINO
Parte dos animais da fazenda Nova América está no Parque de Exposição João Alencar Atayde. Outros foram enviados para fazendas de amigos dos donos. Segundo a Coonorte, a Fazenda Nova América produzia 6.875 litros de leite e tem cerca 50 hectares de plantação de milho.