A professora Marley Simone Lima Antunes, vítima do incêndio na creche Gente Inocente, voltou a ser internada no Hospital de Janaúba após sofrer uma piora no quadro de saúde. Ela teve 40% do corpo queimado e precisa de tratamento devido às consequências das queimaduras.

Marley, de 43 anos, foi a vítima que mais tempo permaneceu em um hospital após a tragédia, em outubro do ano passado. Logo após o ataque, ela foi transferida para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, referência no atendimento a queimados. 

Na capital, passou por diversas cirurgias, algumas de reconstituição. Também ficou em coma. Em 11 de fevereiro, foi de helicóptero para o Hospital Regional de Janaúba, de onde teve alta no dia 15. Contudo, precisou voltar a ser internada, pois o estado clínico piorou. 

De acordo com o marido de Marley, Alberto Borges, a saída de BH só aconteceu porque o município garantiu que daria continuidade ao tratamento. Marley precisa da ajuda de fonoaudiólogo, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e assistente social, além de remédios e atendimento médico específico, mas os serviços não estariam sendo oferecidos. 

“O hospital não tem estrutura para os tratamentos de que ela precisa. Minha esposa não consegue andar nem sentar, está jogada em cima da maca sem mesmo uma sonda para alimentá-la. Vomita muito, não segura nenhum remédio no estômago”, relata Alberto Borges. Segundo ele, a mulher está com pressão muito alta e sente dores abdominais. “Não temos apoio do município”. 

Alberto Borges foi até a Câmara dos Deputados reivindicando melhor tratamento para esposa. Lá, foi recebido pela deputada federal Raquel Muniz. 

“Conversei com ele e vamos avaliar a situação. A princípio solicitarei que uma equipe do Hospital das Clínicas Mário Ribeiro da Silveira avalie Marley para ver se há possibilidade de que ela faça o tratamento em Montes Claros”, diz a deputada. 

A redação de O Norte entrou em contato com o secretário de Saúde de Janaúba, mas não obteve retorno sobre a situação.