Peregrinos em bicicletas, cavalos e jipes 4x4 iniciam nos próximos dias a maior rota de turismo religioso do Brasil. Eles vão se juntar a fiéis que partiram no domingo do Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté, na Grande BH, rumo ao Santuário de Aparecida, em São Paulo.

Durante 37 dias, todos irão visitar 32 municípios mineiros e seis paulistas, num percurso de mais de mil quilômetros. A chegada ao tradicional templo religioso está prevista para 9 de outubro. Nesta data, será celebrada uma missa e haverá a recepção aos romeiros e o reconhecimento do Caminho Religioso da Estrada Real (CRER) como uma rota oficial de peregrinação.

A peregrinação, chamada Romaria 550, celebra os 250 anos de peregrinação ao Santuário Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais, e os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, santa protetora do Brasil.

A rota turística é inspirada no consagrado Caminho de Santiago de Compostela, que liga a França à Espanha, e foi lançada no domingo pelo governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), em parceria com a Arquidiocese de BH. O CRER busca desenvolver e estruturar o segmento de turismo religioso mineiro a partir da formatação de produtos que associem experiências turísticas à religiosidade, que é marcante no Estado.

A Setur aposta na diversificação da oferta turística das regiões que abraçam a rota. “Estamos muito felizes com mais essa conquista para o turismo religioso mineiro. Por meio do Caminho Religioso da Estrada Real, os peregrinos poderão conhecer nosso Estado não apenas pelas experiências de fé e sim em suas mais variadas formas, como a gastronomia, história e cultura”, comemora o secretário da pasta, Ricardo Faria.

Arcebispo metropolitano, dom Walmor Oliveira de Azevedo destacou a riqueza e a beleza do conjunto paisagístico e arquitetônico da rota religiosa. “Esse é um dos projetos com maior potencial turístico de Minas e, por isso, merece atenção de todos os mineiros”.

CONCEPÇÃO
A ideia da rota religiosa surgiu em 2001. Na época, dois caminhantes, com apoio do Instituto Estrada Real (IER) e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), percorreram, em 36 dias, toda a Estrada Real, identificando as principais necessidades para sua consolidação.

De 2002 a 2004, depois de levantamento e demarcação, foram fixados os marcos sinalizadores.

Fiéis terão certificado
Os peregrinos que se aventurarem no Caminho Religioso da Estrada Real (CRER) e concluírem o percurso, seja no Santuário Nossa Senhora Aparecida ou no Nossa Senhora da Piedade, serão certificados. Para isso, será preciso adquirir um passaporte e carimbá-lo nas cidades por onde passar.

Os carimbos estarão disponíveis nos pontos de apoio da rota, geralmente a secretaria paroquial do município ou nos centros de informações turísticas.
 
A Secretaria de Estado Turismo (Setur) reforça que o trajeto, inclusive, está todo sinalizado e as direções indicadas por totens. Placas apresentam o mapa geral da rota, mostrando os municípios do percurso.

Nos últimos anos, as estruturas físicas foram implantadas pela pasta mineira. São 22 quiosques, 38 paraciclos, uma escada de acesso, três passarelas, 64 placas informativas, 1.771 totens indicativos e 119 placas de advertência para os motoristas. Cabeceira de uma ponte e uma pinguela foi reparada.

O trajeto pode ser percorrido a pé, de bicicleta, a cavalo ou veículo 4x4 Off Road, configurando-se como uma opção de turismo e peregrinação, com prestação de serviços para atender aos caminhantes em uma única viagem ou por etapas. “Eles podem iniciar a rota de qualquer ponto e percorrer os trechos que desejar, não sendo obrigatório realizar todo o caminho de uma só vez”, explica Eberhard Hans Aichinger, representante da Sacrum Brasilidades, gestora do CRER.

Trajeto religioso
– A rota perpassa pelos seguintes municípios mineiros: Caeté, Sabará, Raposos, Barão de Cocais, Nova Lima, Santa Bárbara, Rio Acima, Catas Altas, Itabirito, Mariana, Ouro Preto, Ouro Branco, Congonhas, Conselheiro Lafaiete, São Brás do Suaçuí, Entre Rios de Minas, Casa Grande, Lagoa Dourada, Prados, Tiradentes, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, Carrancas, Cruzília, Baependi, Caxambu, São Lourenço, Pouso Alto, São Sebastião do Rio Verde, Itamonte, Itanhandu e Passa Quatro.
 
– Já as cidades paulistas contempladas são Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Canas, Lorena, Guaratinguetá e Aparecida.