Poços artesianos são uma alternativa para garantir água potável em residências e empresas em tempos de seca e racionamento. No entanto, a perfuração clandestina pode contribuir para o agravamento da falta d’água na região Norte. O assunto foi debatido no Seminário sobre Água Subterrânea promovido ontem pela Sociedade Rural de Montes Claros. Durante o evento, foi apresentada a atual situação de abastecimento de água na cidade, que vem sofrendo com a escassez hídrica há pelo menos dois anos.

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), em todo o Norte de Minas existem 10 mil poços artesianos cadastrados e legalizados, mas o número de estruturas que extraem o líquido do subsolo pode ser muito maior.

“Há três anos, estamos fazendo um estudo em Montes Claros sobre o potencial de água subterrânea existente em toda a extensão do município. O projeto é amplo e se estende até a Bahia. Ainda não temos os relatórios finais, porém, podemos afirmar que existem dezenas de perfurações clandestinas, o que agrava ainda mais a escassez de água”, ressalta Leonardo de Almeida, especialista em recursos hídricos da ANA.
 
REGULAMENTAÇÃO
A perfuração de poços deve ser autorizada pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (Codema) que viabiliza estudos sobre a possibilidade da perfuração, que deve atingir uma “veia pluvial”.

“A água subterrânea é uma grande riqueza no nosso país, mas não está sendo usado de forma correta. É uma atividade que deve ser estudada e isso não está acontecendo. Na maioria dos casos, a água está sendo captada de maneira incorreta. Estamos usando sem conhecer o potencial hídrico que temos”, pontua Marcos Mendes, diretor técnico da Sociedade Rural.

Leonardo de Almeida ainda destaca que a crise hídrica não é algo exclusivo de Montes Claros. Durante o projeto realizado pela Ana foi constatado que nos últimos cinco anos houve uma diminuição considerável do volume de água.

“Vários fatores contribuem com a falta d’água, como a falta de chuva o que consequentemente afeta os rios que hoje estão praticamente secos. Outro ponto é a grande quantidade de poços artesianos ilegais, eles estão cada vez mais fundos e em grande escala, o que afeta a água que temos no subsolo prejudicando toda população”, conclui.