Cerca de cem fazendeiros interditaram ontem a LMG-657, conhecida como Estrada da Produção, na zona rural de Montes Claros, e colocaram fogo em uma bandeira do Movimento dos Sem-Terra (MST). Protestaram contra a ocupação, por cem famílias, de um terreno pertencente ao Estado. Segundo os fazendeiros, a área poderia funcionar como um “ponto de apoio” para a invasão de novos terrenos. 

No fim da tarde, os dois grupos fizeram um acordo: os sem-terra deixaram a área e a estrada foi liberada. O fazendeiro e advogado Antônio Proença disse que a resistência dos produtores rurais ocorreu para evitar novas invasões, uma vez que nos últimos anos fazendas produtivas e importantes para a economia da região foram invadidas. 

“Os produtores rurais decidiram se unir para mostrar que não vão entregar terra para ninguém. Eles (integrantes do MST) ocuparam esse terreno e não estavam deixando que os proprietários chegassem até as fazendas”, afirmou Antônio Proença. 

Um dos fazendeiros defendeu que a propriedade privada seja respeitada. “Gente de bem não invade terreno alheio. Tudo o que temos é fruto do nosso trabalho. Tivemos casos de colegas estarem em casa com a família e eles chegarem destruindo tudo, maltratando os animais. É um absurdo, precisamos de segurança jurídica”, disse. 

Segundo a organização do MST, a área ocupada pertence à Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Em nota, o MST pede que o Estado controle a violência crescente do latifúndio na região e impeça que mais ataques ocorram. 

Parte das famílias que ocuparam a área pertencia ao acampamento Alvimar Ribeiro, localizado no município de Francisco Sá, no Norte de Minas. Elas reivindicam uma área segura para morar e produzir, já que o despejo do acampamento anterior está marcado. Renato Pereira, um dos líderes do movimento, esclareceu que a ocupação aconteceu por volta das 6h de ontem e que o terreno, com cerca de 200 hectares, é improdutivo. 
 
DESPEJO
“Somos mais de 300 pessoas oriundas do despejo da fazenda Redenção, em Francisco Sá. Tínhamos uma liminar de despejo para desocupar a fazenda até o próximo domingo. Por isso, invadimos essa área”, explicou Renato Pereira, que é natural de Bocaiuva. Eles foram para um assentamento na região, a 15 quilômetros de Montes Claros.

Em nota, a Codemig informou que o terreno é destinado à implantação de área industrial.